Guedes diz que reformas protegem o Brasil de pânico mundial dos mercados

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comentou nesta segunda-feira (9) a piora drástica nas bolsas mundiais por conta da baixa no preço do petróleo e do alastramento do coronavírus. Guedes falou a jornalistas ao chegar no Ministério e disse que as reformas econômicas que devem ser analisadas neste ano pelo Congresso vão impedir que o Brasil seja afetado. No entanto, o ministro evitou falar sobre a data de envio da reforma administrativa e da participação do governo na reforma tributária.

“O que vai acontecer com o dólar? Se o mundo está descendo e existe uma incerteza se as reformas vão prosseguir, fica essa instabilidade. Se a nossa resposta for 'vamos aprofundar as reservas', o Brasil se acalmar. Da mesma forma o preço do petróleo. 'A, o preço do petróleo vai cair'. Quando o preço do petróleo subiu: 'greve dos caminhoneiros, terrível, a inflação vai voltar'. Agora o preço do petróleo cai, todo mundo vai falar o que agora?”.

Ouça o aúdio com a fala completa de Guedes sobre o pânico nos mercados mundiais:

Reportagem publicada pelo Congresso em Foco na última sexta-feira (6) mostra que o chefe da área econômica do governo federal está sendo pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro. O principal ponto de atrito é a reforma administrativa, que dá a fim a estabilidade de futuros servidores públicos.

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Apesar de ter sido selada a paz, com a promessa de envio da proposição ao Congresso, que Jair Bolsonaro assinou ainda antes do Carnaval, a sua divulgação oficial ainda não ocorreu.

Ao cortar benefícios de uma categoria (o funcionalismo público) que em grande parte apoiou o ex-deputado nas eleições presidenciais, a proposta traz inconvenientes políticos contra os quais Bolsonaro resiste.

Durante a entrevista coletiva nesta segunda o ministro evitou comentar o diálogo entre os poderes Legislativo e Executivo nas reformas econômicas.

“A parte política eu não posso entrar, certo? O presidente disse que eu não entendo de política e eu concordo com ele, não é minha especialidade. Essa parte de articulação política é conversar com o ministro [da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo] Ramos, com [presidente da Câmara] Rodrigo Maia, aquela turma lá. O que eu posso responder é sobre a economia, a equipe econômica é capaz, experiente, segura e está absolutamente tranquila sobre a nossa capacidade de enfrentar a crise”, disse.

As reforma administrativa e tributária estão em estado de espera no Congresso Nacional aguardando a participação do governo. Líderes governistas no Congresso querem acelerar as negociações para que a proposta de emenda à Constituição da reforma do serviço público seja enviada nesta semana.

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Na reforma tributária também há o esforço para que o primeiro ponto defendido pelo governo, unificação do PIS e Cofins, saia esta semana. A participação no governo nos dois temas tem sido adiada sucessivas vezes desde o ano passado.

Já a PEC Emergencial, que suspende salário e paralisa promoções no serviço público, enfrenta resistência no Senado e pode não mais abranger estados e municípios.

Congresso cobra reação a piora na economia

Na noite de domingo (8), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) comentou em seu Twitter a deterioração da economia global e a necessidade de respostas das autoridades brasileiras.

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Desde a divulgação do resultado do PIB, na quarta-feira (4), líderes do Congresso intensificaram a pressão sobre Paulo Guedes para que sejam enviadas reformas ao Legislativo. Apesar de tratar os temas como prioritários e como a principal resposta à crise, o governo ainda não enviou os textos da reforma administrativa nem da reforma tributária.

"É fundamental que o governo envie a proposta de reestruturação da máquina administrativa ao Congresso, o que agora está previsto para a semana que vem, e também aponte suas sugestões para a reforma tributária", disse o líder do PSDB, Carlos Sampaio.

O líder do Cidadania, Arnaldo Jardim (SP), acredita que o Congresso não prescinde política nem constitucionalmente de iniciativas do governo. "Acho que a equipe econômica tem sido morosa no encaminhamento das propostas e ineficaz com relação ao cardápio de iniciativas para promover o crescimento econômico", afirmou Jardim.

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