Mercado vive dia de pânico com coronavírus e baixa no preço do petróleo

A Bolsa brasileira abriu em forte queda de 10,02% (88.178,33 pontos) nesta segunda-feira (9) e suspendeu, inicialmente por 30 minutos, suas operações. O dia é considerado de pânico no mercado financeiro. Mesmo com a intervenção do Banco Central, o dólar disparou. O risco-Brasil tem alta recorde e os juros futuro subiram.

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Desde maio de 2017, quando vieram a público as gravações feitas pelo empresário Joesley Batista com o então presidente Michel Temer (MDB), as operações não eram suspensas, o chamado circuit breaker. Na Ásia e na Europa, os principais indicadores de ações atingem grandes níveis negativos. O dólar, que bateu R$ 4,7940 nesta manhã, teve sua alta parcialmente contida pela injeção de US$ 3 bilhões de reservas do Banco Central.

Contribuem para o alarme no mercado a disseminação do novo coronavírus e a briga comercial pelo petróleo na Ásia. O preço do petróleo abriu em queda de mais de 30%, maior tombo desde a Guerra do Golfo, em 1991, derrubando o preço para cerca de US$ 30 por barril. O motivo é a guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita.

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Depois das primeiras negociações, a queda ficou em cerca de 20%, elevando a cotação do Brent para a faixa de US$ 36 na Bolsa de Londres. É o menor valor desde 2016. O efeito coronavírus sobre a economia deve crescer com a decisão da Itália de impedir a circulação de 16 milhões de pessoas devido à epidemia, que já deixou mais de 360 mortos no país. Segundo as estatísticas oficiais, mais de 3,5 mil pessoas morreram com o vírus. No Brasil, 25 casos foram confirmados até a noite desse domingo. Economistas esperam uma reação do governo brasileiro. Investidores estrangeiros buscam ativos considerados mais seguros.

Em entrevista concedida na manhã desta segunda-feira, o ministro Paulo Guedes, da Economia, afirmou que o problema não é localizado no Brasil. "O mundo todo está descendo. Não é um país, não são dois países. O mundo está desacelerando", afirmou.

"Nós temos que manter absoluta serenidade. A melhor resposta à crise são as reformas. Nós vamos mandar a reforma administrativa, o pacto federativo já está lá e nós vamos mandar a reforma tributária", disse Guedes.

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