7 ex-ministros do meio ambiente preparam declaração conjunta sobre política ambiental de Bolsonaro

Está marcada para esta quarta-feira (08), no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), reunião entre sete ex-ministros do Meio Ambiente para debater o contexto atual do país na área ambiental. A expectativa é que eles façam uma declaração conjunta e respondam perguntas da imprensa depois do debate privado entre eles. A iniciativa teria sido de Izabella Teixeira, ministra durante o governo Dilma Rousseff, quando o Código Florestal brasileiro foi aprovado pelo Congresso.

Além de Izabella Teixeira, foram anunciadas as presenças na reunião de Carlos Minc e de sua antecessora, Marina Silva, primeira ministra do Meio Ambiente do governo Lula, entre 2003 e 2008, do ex-deputado José Sarney Filho e de José Carlos Carvalho, ministros durante o segundo governo Fernando Henrique Cardoso. José Carlos de Carvalho chefiou a delegação brasileira na Conferência da Onu sobre Meio Ambiente Rio+10 e Sarney Filho assumiu o ministério novamente em 2016, durante a gestão de Michel Temer. A lista ainda conta com Rubens Ricupero, ministro na gestão Itamar Franco e Edson Duarte, que foi ministro interino na transição dos governos Temer para Jair Bolsonaro.

O Instituto de Estudos Avançados da USP foi procurado apenas para sediar o encontro, “por ser um espaço neutro de ciência e debate”, de acordo com José Pedro Costa, pesquisador da USP, ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente e responsável por dar apoio ao evento dos ex-ministros. “A questão ambiental tem sido mais e mais discutida na imprensa, a crise ambiental existe no mundo, a perda de biodiversidade e mudanças climáticas, bem-estar populações e esses assuntos têm sido polemicamente noticiados em função do novo governo, então parece implícito que a ideia dos ex-ministros é colaborar com sugestões”, afirma José Pedro Costa.

A questão do meio ambiente no governo Jair Bolsonaro está cercada de polêmicas desde antes da posse, quando a equipe de transição anunciou a intenção de fundir o ministério com a pasta de Agricultura e Pecuária. Embora o Ministério do Meio Ambiente tenha sido mantido, a reforma administrativa implantada com a medida provisória 870/2019 alterou significativamente sua estrutura, deslocando o Serviço Florestal Brasileiro para o Ministério da Agricultura, por exemplo. Ambientalistas denunciam que a política de combate ao desmatamento desapareceu da estrutura da pasta, enquanto o ministro Ricardo Salles tem defendido que mudanças climáticas não devem ser prioridade do governo, mas sim a agenda de qualidade ambiental urbana.

 

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