Militares dominam ICMBio e ampliam crise no órgão

A crise aberta no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) depois do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ameaçar instaurar processo disciplinar contra os servidores do órgão, segue nesta semana, com a indicação de mais quatro militares para as diretorias da autarquia. A troca acontece depois de três dos quatro diretores pedirem dispensa coletiva dos cargos.

Os nomes dos novos diretores foram anunciados por Ricardo Salles em suas redes sociais, na noite desta quarta-feira. As nomeações já foram encaminhados para a Casa Civil e devem ser publicadas no Diário Oficial da União nesta sexta-feira.


Com isso, todas as quatro diretorias que compõem o ICMBio terão novos chefes, todos policiais militares do Estado de São Paulo que já tinham trabalhado com o atual ministro do Meio Ambiente e com o recém nomeado presidente da autarquia, coronel Homero de Giorge de Cerqueira. Homero substituiu Adalberto Eberhard, o primeiro a pedir dispensa depois do episódio ocorrido em 13 de abril, durante reunião na cidade gaúcha de Mostardas, onde fica o Parque Nacional de Lagoa dos Peixes, conhecido Parna, quando Salles determinou o processo disciplinar para apurar a ausência dos servidores do ICMBio no encontro.

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Servidores e pessoas ligadas às autarquias do Ministério do Meio Ambiente não falam abertamente sobre o que está ocorrendo, mas os três diretores do ICMBio comentaram em reunião para anunciar a saída coletiva que, com a troca da presidência, teriam passado a sofrer pressão diária do Ministério sobre diversas questões quando, por norma, as autarquias deveriam ter autonomia.

Na última quarta-feira, o oceanólogo e analista ambiental do ICMBio, Fernando Weber, foi exonerado do comando do Parque Lagoa dos Peixes, onde a crise começou. A troca de comando na autarquia não termina por aí. O Diário Oficial desta quinta-feira trouxe a dispensa a pedido do chefe da unidade de conservação Estação Ecológica da Terra do Meio, no Pará, e do chefe da unidade de conservação Floresta Nacional de Humaitá, em Rondônia.

“O pessoal está sem condições de continuar trabalhando e está debandando porque está muito difícil remar contra a maré”, comentou Elizabeth Uema, secretária executiva do Ascema Nacional, que representa os servidores especialistas em meio ambiente.

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