Renan Calheiros diz que apoio do MDB a Pacheco é “tiro no pé”

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) manifestou insatisfação com a decisão do MDB de abandonar a candidatura de Simone Tebet (MDB-MS) para apoiar Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

"Eu acho que essa negociação foi um tiro no pé. O MDB jamais deveria deixar de ter um candidato competitivo para negociar cargos. Jamais isso poderia acontecer", disse o ex-presidente do Senado ao Congresso em Foco.

"Isso demonstra que o MDB não é mais aquele. Eu considero essa negociação ridícula para o partido", acrescentou o emedebista, que promete votar na colega de legenda.

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A senadora de Mato Grosso do Sul decidiu na quinta-feira (28) continuar com a candidatura mesmo sem o apoio do partido, que vai indicar o candidato a vice-presidente no bloco de Pacheco. Além da vice, o partido vai manter a segunda secretaria da Mesa Diretora do Senado e vai ter prioridade na escolha da presidência de comissões.

"A bancada, seis senadores, preferiu negociar cargos desimportantes. Para o maior partido, coberto pela proporcionalidade, qualquer cargo diferente da presidência não tem importância", declarou o alagoano.

"Perder ou ganhar faz parte da disputa, mas negociar cargos é algo desprezível", afirmou Renan. "É um fim melancólico para o partido que, pela grandeza, quantidade e qualidade, presidiu o Senado durante muito tempo".

Simone e Renan protagonizaram um embate em 2019, quando os dois se lançaram candidatos ao comando do Senado. Na época, Renan conseguiu a maioria do partido, mas Simone lançou candidatura avulsa. Porém, a senadora decidiu retirá-la no dia da eleição para apoiar o hoje presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O senador do DEM de Minas Gerais é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro e tem em sua aliança 11 partidos, incluindo os de oposição ao governo, PT e PDT. Boa parte das alianças foi herdada de Davi Alcolumbre, que não conseguiu o aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para se reeleger e transferiu o capital político ao mineiro.

Tebet tem o apoio de três partidos e dialoga com grupos da sociedade civil organizada, como economistas, empresários e organizações em defesa dos direitos da mulheres e dos negros.

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