Congresso repudia Bolsonaro e tenta blindar pauta de combate ao coronavírus

Líderes do Poder Legislativo consultados pelo Congresso em Foco criticaram nesta quarta-feira (25) os recentes discursos do presidente Jair Bolsonaro sobre o coronavírus.

Em pronunciamento feito na noite de terça-feira (24) e em entrevista coletiva nesta quarta-feira, Bolsonaro criticou o isolamento total como medida de combate ao alastramento da doença e afirmou apenas ser necessário que idosos e doentes fiquem em isolamento.

“A única certeza até agora é que a mais eficiente ação preventiva é o isolamento social. Com equilíbrio, racionalidade e objetividade. Higiene também é muito eficiente”, disse o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM).

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O líder do PTB na Câmara, Pedro Fernandes (MA), seguiu a mesma linha e defendeu a manutenção da política atual de isolamento adotada por governadores. “Acho que ainda devemos focar no achatamento da curva”.

Os líderes trabalham para que não haja impacto negativo na pauta legislativa por conta do conflito causado por Bolsonaro com governadores. "É lamentável, mas não vai impedir de votarmos e cumprir nosso dever nessa hora grave”, declarou Braga.

“Acho que o governo sempre se distanciou do Congresso. O Congresso de qualquer maneira nunca faltou com o governo, foi assim na votação do pedido de estado de calamidade. O Congresso vai manter uma pauta para combater o coronavírus”, disse o líder do PTB minimizando os riscos de contaminação da pauta pelo conflito.

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A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), também criticou as ideias defendidas por Bolsonaro. Seguindo a mesma linha de raciocínio de seus colegas congressistas, Simone adotou um discurso de que não haverá influência negativa do tom beligerante do presidente sobre os projetos que tramitam no Congresso.

Para ela, Bolsonaro errou no “timing, na forma e no conteúdo”. “Agora é hora de ficar em casa para salvar vidas. Enquanto isso, estamos votando projetos que liberam dinheiro extra para a saúde e subsídios para as empresas, a fim de proteger os mais vulneráveis e garantir empregos”, escreveu a senadora nesta quarta no Twitter.

Ao site, Simone afirmou que não é o momento de restringir o isolamento para idosos e doentes e defende uma reavaliação da política atual apenas a partir do dia 6 de abril.

Nesta e nas próximas semanas estão planejadas votações na Câmara e no Senado de iniciativas de combate à doença.

Entre as ideias está uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria uma espécie de orçamento paralelo de até R$ 500 bilhões reservado para o combate ao coronavírus.

Também pode ser votada uma proposta de autoria do senador Eduardo Braga que regulamenta um benefício de R$ 350 para trabalhadores informais durante três meses. O governo prometeu uma medida semelhante, que ainda não foi enviada, mas com o valor R$ 200.

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