“Está faltando cada um entender o tamanho da sua cadeira”, diz Mourão

Em videoconferência com o grupo de empresários Brasil 200 nesta quinta-feira (7), o vice-presidente Hamilton Mourão disse que tem ocorrido interferência dos Poderes Legislativo e Judiciário em decisões e propostas do Executivo. “Cada poder tem que ter noção das suas responsabilidades e de seus limites, de modo a não interferir em atitudes específicas do outro”, disse ele. “Está faltando, neste momento do país, cada um entender o tamanho da sua cadeira.”

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Ele criticou a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal. Para Mourão, houve “presunção” por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável pela decisão.

O vice-presidente disse que o modelo liberal defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, não foi derrotado e voltará no momento em que o Brasil emergir da crise. “A plataforma liberal não está derrubada. Ela vai retornar.”

Para Mourão, falta ao conjunto das lideranças do país entender que o poder público exauriu sua capacidade de solucionar todos os problemas do país. “Nós só vamos conseguir retomar essa capacidade no momento em que a atividade econômica do país melhorar, a gente conseguir arrecadar mais e manter as despesas obrigatórias num nível que permitam uma folga”, disse.

Ao comentar a saída de Sérgio Moro do governo Bolsonaro, Mourão disse que o fato gerou um ruído grande, com um inquérito instaurado que é “de muito estardalhaço e de pouca produção”. Segundo ele, não há indício de que o presidente tenha cometido algum tipo de crime. Para o vice, Bolsonaro atuou dentro das suas prerrogativas.

Aproximação com partidos

O vice-presidente defendeu que haja diálogo do presidente Jair Bolsonaro com os diferentes partidos no Congresso. Segundo ele, a avaliação inicial era de que parlamentares independentes votariam com o governo, mas a realidade não foi essa. “A linha de ação foi alterada de acordo com as peças que estão no tabuleiro”, disse na live.

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Mourão considera necessária uma aproximação do governo com várias siglas para se alcançar uma maioria estável no Congresso que facilite as reformas que estão por vir. “Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”, afirmou.

Enfrentamento à pandemia

Para o vice-presidente, a questão do isolamento social foi politizada e precisa ser tratada com objetividade. “As regiões do país onde está sendo mais intenso o avanço da doença têm que sofrer um isolamento mais restrito”, avaliou. Ele defendeu que regiões em que a dimensão da pandemia de covid-19 é menor, como Mato Grosso e Roraima, haja flexibilização nas medidas de distanciamento. “Temos que fugir da politização”, disse.

“O nosso sistema de saúde já tinha problema e não é culpa do presidente Bolsonaro. Isso é um pacote que vem lá de trás da turma que desviou recurso, que jogou recurso fora”, criticou. Sem detalhar, Mourão afirmou que já estão ocorrendo alguns desvios de recursos públicos destinados ao combate da pandemia. “Cai sempre no colo do coitado do Jair. E ele não é culpado da má gestão que ocorre na ponta da linha nos diferentes estados e municípios”, disse.

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