Bolsonaro minimiza críticas a Weintraub, Salles e Álvaro Antônio

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou a última live deste ano, nesta quinta-feira (26), para elogiar alguns dos seus ministros que foram alvo de críticas recorrentes ao longo de 2019. Tentando afastar mais uma vez a suspeita de que uma reforma ministerial está a caminho, o presidente elogiou a maior parte dos seus ministros, em especial Abraham Weintraub (Educação), Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). Sobre Salles, ele chegou até a dizer que o volume de queixas era um sinal de que o ministro ficaria muito tempo no cargo. Veja o que ele disse sobre cada um deles:

Abraham Weintraub

O ministro da Educação vem ouvindo críticas desde o início do ano por conta de suas declarações polêmicas. Nos últimos dias, contudo, parece ter ficado em uma situação ainda mais delicada no governo. É que até os eleitores de Bolsonaro e os seguidores de Olavo de Carvalho passaram a criticar Weintraub depois que o Ministério da Educação (MEC) decidiu não renovar o contrato da TV Escola. Nessa quarta-feira (25), em meio às discussões sobre o juiz de garantias, Weintraub ainda compartilhou um post que chamava Bolsonaro de traidor. Depois, apagou o post dizendo que fez a publicação sem querer.

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A confusão de Weintraub no Twitter foi ironizada por Bolsonaro na live desta quinta-feira. O presidente disse que não tinha cabimento um ministro seu compartilhar uma coisa dessas e elogiou o trabalho de Weintraub no MEC. "Weintraub não pode fazer milagre, está fazendo o possível. [...] E é cada vez mais forte. Fez um Enem fantástico. O Enem não vazou, não teve pegadinha!", afirmou Bolsonaro.

Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente recebeu queixas até da comunidade internacional neste ano, por conta do avanço do desmatamento na Amazônia e do desastre ambiental que manchou todo o litoral nordestino de óleo. Atitudes como a criminalizar as ONGs pelas queimadas na Amazônia e ironizar o saldo da COP25 com uma foto de churrasco também não favoreceram a imagem de Ricardo Salles no exterior.

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Para Bolsonaro, contudo, Salles está fazendo o que é certo para o meio ambiente brasileiro. "As pessoas estão acostumadas com uma política ambiental frouxa. Acostumados com ONGs. O Brasil sempre dava mais do que podia e não pegava nada em troca. O pessoal fala em crédito de carbono, mas na hora de pagar não quer. Salles está indo muito bem e, pela quantidade de críticas que ele recebe, é sinal que vai ficar muito tempo", argumentou o presidente.

Marcelo Álvaro Antônio

Dirigente do PSL em Minas Gerais nas eleições do ano passado, o atual ministro do Turismo foi indiciado neste ano pela suspeita de ter desviado recursos públicos através de candidatas laranjas. A acusação é similar à que recaiu sobre o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, que entrou na lista de desafetos de Bolsonaro. Porém, não abalou a confiança de Bolsonaro em Marcelo Álvaro Antônio.

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Na liva desta quinta, o presidente não comentou esse caso das candidatas laranjas. Ao contrário, voltou a dizer que o ano acaba sem nenhuma denúncia de corrupção no governo e elogiou o trabalho de Marcelo Álvaro. "Desceram a lenha nele. Mas o ministro do Turismo está indo excepcionalmente bem. Parabéns, Marcelo", afirmou Bolsonaro, dizendo que a ocupação hoteleira e geração de empregos no turismo cresceu neste ano.

Outros ministros

Bolsonaro também elogiou outros ocupantes da Esplanada dos Ministérios na live desta quinta-feira. A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, por exemplo, recebeu nota 10 pela defesa dos valores da família. Já Paulo Guedes, da Economia, teve o trabalho reconhecido pelos números da geração de empregos e do mercado financeiro. "Que o Paulo Guedes continue trabalhando", afirmou.

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O chefe do Executivo ainda fez elogios a outros ministros que escaparam do foco das críticas e acabaram se firmando como pontos de segurança do governo, como Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e Tereza Cristina (Agricultura). Ele disse que Tarcísio conseguiu otimizar os recursos públicos em diversas obras ao redor do Brasil e afirmou que Tereza Cristina tem um ótimo relacionamento com o setor da agricultura. "Tarcísio, você orgulha a todos nós brasileiros. [...] A Tereza é uma leoa do agronegócio do Brasil, viaja o mundo todo batendo recorde de exportação e contrato", avaliou.

Ainda houve um capítulo especial para o ministro da Justiça, Sergio Moro. É que Bolsonaro elogiou o trabalho de Moro, mas acabou perdendo a paciência ao rebater as críticas dos apoiadores de Moro que o chamaram de traidor por conta da manutenção do juiz de garantias no pacote anticrime. Ele ainda reconheceu que Moro pode sair candidato em 2022, quando deve concorrer à reeleição.

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