CPI da Espionagem deve ser instalada na quarta-feira

Comissão terá como objetivo investigar quais empresas de telecomunicações no país estariam colaborando com os EUA por meio de transferência de dados sigilosos. CPI foi criada a partir de requerimento de senadora do PCdoB

Na quarta-feira (28), deve ser realizada a instalação da CPI da Espionagem, para investigar denúncia de que o governo americano monitorou milhões de emails e telefonemas de brasileiros. A CPI, criada a partir de requerimento da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), terá 11 membros titulares e 7 suplentes. Os parlamentares que farão parte do colegiado já foram indicados pela maioria das lideranças.

O Brasil seria um dos países mais vigiados, segundo o jornalista Glenn Greenwald, que falou à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) no início de agosto. Ele foi o responsável por expor os programas secretos dos Estados Unidos para a interceptação de dados vazados pelo ex-técnico da agência de segurança americana (NSA), Edward Snowden.

Segundo o jornalista, ainda há documentos em análise que podem ser divulgados a qualquer momento e que trazem informações estratégicas sobre a política e o comércio do Brasil.

Internet

Vanessa Grazziotin afirmou que a CPI deverá investigar quais empresas de telecomunicação no país estariam colaborando com os EUA por meio de transferência de dados sigilosos e também avaliar medidas para aumentar a segurança da informação. "Nos dedicaremos ao estudo, ao conhecimento do grau de segurança do nosso país em relação a essas interceptações", disse.

A senadora lembrou que, em outubro, o Brasil realiza o primeiro leilão para exploração petrolífera de bacias do pré-sal e que informações internas do governo podem provocar desequilíbrio na concorrência. As conclusões da CPI devem ser compartilhadas com outros países para que se encontre uma nova forma de gerenciar os dados da internet. "É manifestar uma opinião com maior força em relação à gestão da internet globalmente, que é feita pelos americanos. A internet não é propriedade de quem inventou, ela é do mundo. E tem que ser controlada por um organismo que não seja do país A, B, muito menos C. Que seja um organismo multilateral", argumentou.

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