Jaques Wagner acredita em candidatura de Lula, mas pede que PT não se antecipe

O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, afirmou em entrevista ao Congresso em Foco que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin de anular os processos contra Lula na Lava Jato do Paraná e remetê-los para o Distrito Federal é algo a se comemorar.

No entanto, ele disse que não deve ser feito um adiantamento da escolha da candidatura do PT em 2022. Sem os processos, não há impedimentos legais para que Lula concorra ao Planalto.

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"É muito recente a notícia, evidentemente as pessoas estão comemorando, não como partidária, mas como amigas dele e como defensoras de que se anule um processo eivado de erros e falhas. Acho que nem deu tempo para raciocinar até porque ele não disse que ele é inocente, ele disse que o fórum não era lá, essa decisão podia ser muito anterior, se o fórum não era lá não era para ter sido preso. Mas ainda que tardia, vale a verdade. Vai mandar para o Ministério Público, em São Paulo ou Brasília para saber se querem ou não oferecer denúncia", declarou.

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"É uma decisão dele, você só é candidato se quiser, eu acho que ele quer e uma vez estando desobstruído, creio que ele será, mas estou insistindo que é uma decisão dele e não acho que no momento é o que ele está correndo atrás".

Para o senador da Bahia, o foco político em 2021 deve ser o enfrentamento ao coronavírus. "Eu continuo achando que 2021 é o ano de trabalhar pelo auxílio emergencial, pela vacina, pela volta do emprego. Está muito longe, isso ainda tem muita coisa para acontecer, ninguém sabe como vai estar a economia. Eu sinceramente não recomendo adentrar a agenda eleitoral".

O ex-ministro da Casa Civil também comentou sobre a pesquisa feita pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), que aponta Lula como tendo o maior potencial de votos entre as opções apresentadas para 2022.

"Eu não sou muito empolgado com pesquisa a um ano e oito meses da eleição. Acho que muita coisa pode rolar. Óbvio que as pessoas ficam animadas, mas eu não vou mudar meu ponto de vista, pesquisa a essa altura do campeonato é potencial, é fato, mas é muito difícil para levar em conta".

Nas eleições de 2018, Jaques Wagner foi um dos representantes do PT que defendeu uma aliança com Ciro Gomes (PDT). Desde o fim daquele pleito, o pedetista tem adotado uma postura de combate a  Lula e ao PT. Perguntado pelo Congresso em Foco sobre se acha que até o ano que vem pode haver uma reconciliação e diálogo, ele considerou difícil isso acontecer.

"Depende dele. Continuo achando que ele é uma pessoa que tem uma boa formulação, mas infelizmente ele escolheu como adversário principal o PT. Então se dificulta né? Ele diz: 'meu papel é derrotar o PT' e não derrotar Bolsonaro, ele dificulta, se o objetivo é derrotar, então tem como juntar com ele", afirmou.

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