Novas confusões marcaram prova do Senado

As provas que foram anuladas na seleção para analista legislativo ainda não têm data para acontecer. Ministério Público pede mudanças no edital para o cargo de policial do Senado. Os problemas atingem mais de 10 mil candidatos

Marcado por confusões desde o princípio, o concurso do Senado acabou acontecendo no domingo (11) com novos problemas. A falta e a troca de cadernos de provas levaram à anulação de examente para vários cargos de analista legislativo, envolvendo um total de mais de 10 mil candidatos. Para completar, o Ministério Público está contestando o edital para a seleção de policiais do Senado.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo concurso do Senado Federal, informou que a reaplicação das provas para os três cargos que tiveram as avaliações anuladas será divulgada esta semana. No fim da tarde de domingo, a organizadora chegou a anunciar que as novas provas aconteceriam no dia 29 de abril, mas voltou atrás na data. Cerca de 10 mil inscritos que concorriam as cargos de analista legislativo nas áreas de enfermagem, análise de sistemas e análise de suporte de sistema foram afetados. Para concorrer a esses postos, cada um dos candidatos pagou R$ 190 de taxa de inscrição.

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O problema com as provas aconteceu na Faculdade de Ciências Sociais e Tecnológicas (Facitec), da cidade-satélite de Taguatinga (DF). Constatou-se que não havia caderno de provas para todos os candidatos, e que alguns cadernos haviam sido trocados. Em função do ocorrido, inscritos de algumas salas foram dispensados. Porém, nem todos os candidatos aos cargos afetados foram informados da decisão e realizaram as provas normalmente. Constatado o erro, que foi comunicado oficialmente por volta das 18h, a FGV decidiu confirmar a anulação dos exames de todos os candidatos que compareceram àquele local de provas. A organizadora se comprometeu a enviar a convocação pelos Correios. Mais de 157 mil concurseiros concorrem às 246 vagas no Senado, que oferecem salários de até R$ 23 mil.

O presidente da comissão interna do concurso, Davi dos Anjos, lamentou os incidentes ocorridos na aplicação das provas à tarde e garantiu que, pela manhã, o processo “transcorreu na mais absoluta tranquilidade”. Ele também garantiu que o cronograma das áreas que não foram atingidas pelos problemas será mantido integralmente. Veja nota na íntegra aqui

Polêmicas

Nos fóruns de discussões e nas redes sociais, o concurso do Senado tem sido motivo de discussão.  As provas foram consideradas menos complexas do que era esperado. Uma candidata goiana ao cargo de analista legislativo – apoio técnico –, que prefere não se identificar, reclamou de como alguns conteúdos foram cobrados na prova: “A banca poderia ter poupado os candidatos de estudar matérias que não foram exigidas na prova, como Direito Administrativo, Lei 8.666/93, Lei 9.784/99 e ética. Da Lei 8.112/90, uma única questão. Constitucional, cujos capítulos não foram explicitados, também foi muito pouco explorado”, reclama. Ela também explicou que a cobrança maior ficou com as disciplinas de Regimento Interno e Processo Legislativo.

Nas questões de Inglês das avaliações do mesmo cargo, também houve polêmica: “O texto estava sem alínea paragrafal. A prova falava em 19 parágrafos, eu e outras pessoas, contamos 16. A questão se referia ao parágrafo 11, na minha e de outras pessoas, o parágrafo era 8”.

MPF

Às vésperas das provas, o Ministério Público Federal no DF se manifestou solicitando mudança no edital para policial legislativo. De acordo com a ação civil pública ajuizada, deve ser considerada inválida a desclassificação do candidato ao concurso se ele não for capaz de cumprir exigência de apresentação de certidões negativas em cartórios de protesto das cidades em que os candidatos residiram nos últimos cinco anos.

O pedido encaminhado à Justiça prevê a tutela antecipada para determinar a correção do edital e a não exclusão do processo seletivo dos candidatos que não apresentarem os documentos. Na visão do MPF/DF, trata-se de um ponto específico de apenas um cargo do concurso, a propositura da ação não impede nem traz qualquer prejuízo à realização do concurso. Ressalta, ainda, que o momento de apresentação das certidões, quando os candidatos já foram aprovados nas três primeiras fases da seleção, possibilita que as alterações no edital sejam feitas sem problemas. A ação foi ajuizada em 22 de fevereiro e será julgada na 1ª Vara da Justiça Federal no DF.

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