Resistência negra é tema de live na terça-feira

Quais os caminhos que o Brasil precisa percorrer para garantir à sua população negra as mesmas oportunidades dadas aos brancos? Essa é uma das perguntas que pretendemos responder às 17h da próxima terça-feira (24) com a live "Resistência Negra e Poder". O evento terá transmissão pelo site e pelo canal do Congresso em Foco no YouTube.

O debate reunirá as autoras da coluna Olhares Negros, espaço dedicado a reflexões sobre educação, religião, política, mercado de trabalho, saúde e outros temas sob uma ótica antirracista.

Seis mulheres, todas elas com participação confirmada na live, se alternam na produção dos textos da coluna: a  vice-presidente do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), Wania Sant’Anna; a presidente do Conselho Deliberativo do Fundo ELAS, Helena Theodoro; a advogada Roberta Eugênio, ex-assessora de Marielle Franco; a cineasta e graduanda no curso de História da UFRJ Kelly Tiburcio; a arquiteta, ambientalista e pesquisadora Dulce Pereira, professora da Universidade Federal de Ouro Preto; e Vanda Machado,  doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia

Também participará da conversa a fotógrafa Mariana Maiara, autora das fotos publicadas na coluna. A mediação, a pedido delas, será de Sylvio Costa, fundador do Congresso em Foco.

Programada com antecedência, a live obviamente abrirá espaço para a discussão do fato que abalou o Brasil neste 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra: o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, espancado por seguranças de uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre (RS) na noite de ontem (19).

Houve muitas manifestações de indignação por parte de parlamentares e outras autoridades, mas o tom de repúdio não foi unânime. Ao comentar o fato, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que "no Brasil não existe racismo". Ele lamentou o caso, mas afirmou acreditar que o crime não foi motivado por questões raciais.

O senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, disse que o ato representa a força do racismo no Brasil e que há no país um "apartheid" camuflado. “A agressão e a violência contra o povo negro é algo covarde, perigoso”, afirmou o parlamentar.

Kelly Tiburcio, cineasta

Kelly Tiburcio, que participará da live, afirma que ao racializar as discussões é possível descobrir "coisas sem precedentes". "Eu escrevi um artigo sobre violência obstétrica (Não Grita), por exemplo, que mostra como o corpo negro é violado de diversas formas. Como é consenso pensar que uma mãe negra sente menos dor no parto e, assim, não há procedimento de anestesia ou uma cesariana quando necessário”.

Política

Dados compilados pelo site Gênero e Número mostram que quase um terço dos prefeitos e 44% dos vereadores eleitos este ano são pretos ou pardos. Vereadores serão 31,5%. Esse foi o pleito com mais candidaturas negras da história, mais de 277 mil, quase 10 mil a mais do que a de brancos. 

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