Com previsão de novo pico de covid-19, Manaus fecha hospital de campanha

Um novo estudo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), divulgado pelo O Estado de S. Paulo, mostra que Manaus pode ter uma segunda onda de contaminações por covid-19 ainda mais intensa do que a vivida na cidade em abril. O pico dessa segunda fase da doença, apontam os cientistas, seria entre julho e agosto.

Segundo dados da plataforma Brasil.io, a capital amazonense registrava até esta terça-feira (23), 25.710 casos confirmados da doença e 1.727 mortes. No início do mês, por uma determinação do governo do estado, a cidade reabriu o comércio.

Na época, o prefeito Arthur Virgílio (PSDB) se mostrou contrário à reabertura, mas apesar das críticas nas redes sociais, não editou um decreto municipal contrariando o plano estadual.

Segundo Virgílio, a retomada exige “muito planejamento e cautela em meio a uma população que se mantém exposta, fora de casa”. Para o prefeito, foram feitos poucos testes em Manaus para que se pudesse ter um quadro real da situação, culminando com o que chama de “reabertura precipitada”, que pode influenciar neste novo pico. De acordo com estimativa da equipe da Ufam, a cidade pode chegar a 200 mil casos simultâneos da doença, caso o comércio permaneça aberto.

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Por meio de sua assessoria, o prefeito Arthur Virgílio afirmou ainda que "da parte da prefeitura de Manaus, diversas medidas foram adotadas para o isolamento social da população e a proteção de quem não pode ficar em casa, [...] incluindo a obrigatoriedade do uso de máscaras em estabelecimentos comerciais e no transporte público e privado. A suspensão de licenças para eventos públicos de qualquer natureza, o fechamento de parques urbanos e unidades de conservação municipais, além de equipamentos de uso coletivo, como academias ao ar livre e parquinhos infantis, além do decreto de regime de teletrabalho para servidores municipais".

Desde o dia 15, o hospital de campanha Gilberto Novaes, feito pela prefeitura, encerrou seu funcionamento para voltar a ser um complexo de educação infantil. “A prefeitura criou um hospital  com apoio da iniciativa privada, rendendo bons resultados, com mais de 600 pessoas recuperadas em pouco mais de dois meses. Em caso de uma nova subida nos números, novas medidas serão avaliadas", declarou o prefeito por meio de sua assessoria.

Imbróglio

Apesar de festejada prefeitura, a parceria com a iniciativa privada chegou ao fim. No dia 10 de junho, o município assumiu integralmente a gestão do hospital. O grupo Samel e o Instituto Transire, parceiros na organização do hospital, se responsabilizaram pela transição na gestão da unidade.

No último dia 17, porém, o presidente do Grupo Samel, Luis Alberto Nicolau, divulgou nas redes sociais da empresa um vídeo em que manifestava indignação com a prefeitura. De acordo com Nicolau, o órgão se recusava em realizar o empréstimo dos equipamentos doados pelas instituições a um hospital de Roraima.

Acompanhado do tenente do Exército Marcelo Grun, Nicolau esteve no hospital para liberar os equipamentos ao Exército Brasileiro, mas teria sido barrado pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

Por meio de nota a secretaria de saúde informou que “foi surpreendida pela mobilização”. “Submetido ao princípio da legalidade, o município repudia a ação, vez que a saída de qualquer equipamento, de qualquer órgão público, está necessariamente vinculada a procedimentos administrativos, por meio de ofício, requisição ou algum expediente solicitando esse material. Isto não ocorreu”.

"É preciso ressaltar que muitos dos equipamentos instalados no hospital de campanha municipal são oriundos de benefícios concedidos por decisão da Justiça Federal, como o tomógrafo doado a Manaus, pelo Instituto Transire, por sua obrigação de investir em P&D, através da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa)", aponta a secretaria.

O Amazonas é o estado brasileiro que mais tem mortos pela covid-19, na comparação por 100 mil habitantes. Além das populações urbanas, povos indígenas no estado vêm sofrendo com a doença e enfrentam divergência de números entre as secretarias estaduais e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

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