Bolsonaro já defendeu aborto como decisão do casal

O presidente Jair Bolsonaro, que criticou duramente a aprovação pelo Congresso argentino da descriminalização do aborto, teve outra postura no passado quando o assunto o envolveu diretamente. Em entrevista à revista IstoÉ Gente, em 2000, Bolsonaro disse que entendia que interromper ou não uma gestação deveria ser uma decisão do casal e admitiu que já tinha passado por uma experiência relacionada ao tema. Contou que deixou para sua então companheira, Ana Cristina Valle, decidir se teria ou não o único filho do casal, Jair Renan, hoje com 21 anos.

Nessa quarta-feira, no entanto, Bolsonaro foi às redes e fez um discurso radicalmente contrário ao aborto. “Lamento profundamente pelas vidas das crianças argentinas, agora sujeitas a serem ceifadas no ventre de suas mães com anuência do Estado. No que depender de mim e do meu governo, o aborto jamais será aprovado em nosso solo. Lutaremos sempre para proteger a vida dos inocentes!”, escreveu o presidente.

Na entrevista de 2000, quando perguntado pela jornalista Cláudia Carneiro sobre sua posição em relação ao aborto, o então deputado Jair Bolsonaro respondeu: “Tem de ser uma decisão do casal”. Ele relatou ter sido instado a decidir sobre o assunto. "Já. Passei para a companheira. E a decisão dela foi manter. Está ali, ó". Na ocasião, conforme relato da jornalista, Bolsonaro apontou para a foto no mural de Jair Renan, então com um ano e meio. Jair Renan, que hoje mora em Brasília, é o quarto dos cinco filhos do presidente. E dá sinais de que pretende entrar para a vida política, a exemplo do pai e dos três irmãos mais velhos. Somente 18 anos após a publicação da entrevista, durante a campanha presidencial, ele negou ter dado a declaração à jornalista e chamou o caso de fake news.

Bolsonaro em 2000:

Reprodução de trecho de entrevista publicada pela revista IstoÉ Gente em 14 de fevereiro de 2000

 

 

 

 

Bolsonaro em 2020:

Na mesma entrevista, Bolsonaro voltou a defender que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ser fuzilado, a tortura e a pena de morte etc. Contou ainda que terminou o seu primeiro casamento com Rogéria, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, porque o desobedeceu e não soube respeitar o poder e a liberdade que ele lhe deu quando ela não o consultou a respeito de uma votação no plenário da Câmara Municipal do Rio, quando ela era vereadora. Bolsonaro então lançou Carlos, que derrotou a mãe, e assumiu o papel de seu representante político na Casa.

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