Deputados da oposição não descartam impeachment contra Bolsonaro

Os líderes dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados remarcaram para a próxima terça-feira, dia 6 de agosto, reunião para definir estratégia conjunta contra o presidente Jair Bolsonaro. Os deputados avaliam desde acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) até um pedido de impeachment.

A reunião estava marcada inicialmente para esta terça-feira (30), mas foi adiada em uma semana. Foram convidados os líderes na Câmara da Oposição (Alessandro Molon), Minoria (Jandira Feghali), PT (Paulo Pimenta), PSB (Tadeu Alencar), Rede (Joenia Wapichana), PC do B (Daniel Almeida), Psol ( Ivan Valente) e PDT (André Figueiredo).

A movimentação dos partidos de oposição acontece após uma intensificação de declarações controversas feitas por Bolsonaro.

Nas últimas semanas, ele afirmou que não existe fome no Brasil, defendeu represar recursos para governadores do Nordeste, declarou que iriacortar recursos do cinema brasileiro e criticou o pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz.

O líder do PT, Paulo Pimenta, defende que se o STF e o Congresso Nacional não reagirem, os líderes da oposição devem elaborar um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro.

A solicitação de impedimento também é tratada como uma possibilidade pelo líder do Psol, Ivan Valente.

"A esquerda deve tomar atitude mais ofensiva em relação ao Bolsonaro, vou propor isso na reunião. Agora qual instrumento vamos ter que qualificar ali na hora a correlação de forças para tomar uma posição comum. Não está descartado acionar o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público e até um pedido de impeachment", disse o deputado do Psol.

Valente diz que Bolsonaro está "normatizando absurdos" e completa: "ele mente compulsivamente, isso sinaliza claramente uma quebra de decoro do cargo presidencial".

Ao comentar as últimas declarações do presidente, o deputada oposicionista fez uma comparação da atuação de Bolsonaro quando era deputado federal e ressaltou que até seus aliados nas eleições de 2018 não pouparam críticas ao comportamento do político do PSL.

"Ele não é mais um deputado do baixo clero, é presidente da República. Temos que somar essa questão e ver que medidas judiciais cabíveis, junto ao Supremo Tribunal Federal ou junto a própria Câmara dos Deputados. Tem que ser uma coisa com uma base jurídica boa. Observar a reação dos outros partidos de centro. Tem uma repulsa geral, até o Doria criticou ele", afirmou.

No entanto, o líder do Psol disse que vê preocupação a falta de manifestações dos partidos do Centrão (DEM, PP, PRB, Solidariedade e PL) sobre as falas do presidente.

"Temos que tratar as questões como são: questões graves que revelam incapacidade de governar", afirmou Tadeu Alencar (PSB-PE), para quem o presidente "precisa de um exame de sanidade".

O líder do PSB na Câmara, porém, acha que o impeachment não deve ser o primeiro plano dos deputados de oposição, mas também não disse quais medidas podem ser tomadas neste momento:

"Precisamos discutir. Nossa preocupação é discutir a gravidade do momento político e avaliar o papel dos atores políticos diante disso", desconversou, admitindo, por sua vez, que "se o presidente continuar nessa marcha de insensatez, cada vez mais agressivo e apostando no enfrentamento, é claro que as coisas não podem terminar bem".

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