“Globo não faz patifaria nem canalhice”, diz emissora em resposta a Bolsonaro

A TV Globo divulgou nota (veja a íntegra abaixo) nesta quarta-feira (30) em que responde aos ataques dirigidos a ela pelo presidente Jair Bolsonaro após a divulgação de reportagem sobre a citação do nome dele nas investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol). Bolsonaro usou os termos “patifaria” e “canalhice” para se referir à emissora na live em que repudiou qualquer tentativa de envolvimento de seu nome no caso.

O presidente ainda insinuou que a empresa poderá não ter sua concessão pública renovada em 2022. “É o orgasmo da TV Globo ver um filho meu preso? Ver um irmão meu preso? Ver um amigo meu, um chegado, preso? Esse é o orgasmo de vocês?”, reagiu na transmissão ao vivo por suas redes sociais (veja o vídeo abaixo da nota da TV).

“A Globo lamenta que o presidente revele não conhecer a missão do jornalismo de qualidade e use termos injustos para insultar aqueles que não fazem outra coisa senão informar com precisão o público brasileiro”, respondeu em nota a TV. A emissora também foi atacada por Eduardo e Carlos Bolsonaro, filhos do presidente, e outros apoiadores dele.

> Moro pede inquérito para apurar “tentativa de envolvimento indevido” de Bolsonaro no caso Marielle

De acordo com reportagem do Jornal Nacional, um porteiro do condomínio onde Bolsonaro tem residência no Rio afirmou que um dos suspeitos de matar a vereadora e seu motorista esteve horas antes do crime na região. E teve autorização de alguém identificado como o "senhor Jair" na casa 58, onde mora o presidente, para entrar. O ex-policial Elcio Queiroz, no entanto, dirigiu-se para a casa de outro suspeito que  também mora no condomínio, Ronnie Lessa. Naquela data, Bolsonaro estava em Brasília, participando de atividades na Câmara.

Veja a íntegra da nota da Globo:

A Globo não fez patifaria nem canalhice. Fez, como sempre, jornalismo com seriedade e responsabilidade. Revelou a existência do depoimento do porteiro e das afirmações que ele fez. Mas ressaltou, com ênfase e por apuração própria, que as informações do porteiro se chocavam com um fato: a presença do então deputado Jair Bolsonaro em Brasília, naquele dia, com dois registros na lista de presença em votações.

O depoimento do porteiro, com ou sem contradição, é importante, porque diz respeito a um fato que ocorreu com um dos principais acusados, no dia do crime. Além disso, a mera citação do nome do presidente leva o Supremo Tribunal Federal a analisar a situação.

A Globo lamenta que o presidente revele não conhecer a missão do jornalismo de qualidade e use termos injustos para insultar aqueles que não fazem outra coisa senão informar com precisão o público brasileiro. Sobre a afirmação de que, em 2022, não perseguirá a Globo, mas só renovará a sua concessão se o processo estiver, nas palavras dele, enxuto, a Globo afirma que não poderia esperar dele outra atitude. Há 54 anos, a emissora jamais deixou de cumprir as suas obrigações.

Veja o vídeo com as críticas de Bolsonaro à Globo:

> Bolsonaro pedirá a Moro que PF ouça porteiro que o citou em investigação sobre assassinato de Marielle

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