Com covid, Malafaia defende “tratamento precoce” e ataca a imprensa

O líder evangélico Silas Malafaia teria uma reunião nesta segunda-feira (29) com o presidente Jair Bolsonaro, porém, o encontro deve ser cancelado após o pastor anunciar que está com covid-19. A agenda contaria também com a presença dos ministros Damares Alves (Mulher, da Família e dos Direitos Humanos), Milton Ribeiro (Educação), André Mendonça (Justiça e Segurança Pública) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Há quinze dias, Bolsonaro já tinha recebido Malafaia, mesmo com a crise sanitária em níveis aterrorizantes, para debater a reabertura dos templos.

Nas redes sociais, o anúncio do diagnóstico por Malafaia vem acompanhado de um vídeo - repostado seguidamente pelo líder - no qual defende o chamado "protocolo preventivo" contra o coronavírus.

Na gravação, ele conta que dois filhos, dois genros, uma neta e a esposa já tiveram a doença. Malafaia diz ter sido atendido por médicos "top" que "há muito tempo" adotam o protocolo. Segundo o pastor, o kit de medicamentos "não cura, mas ameniza o impacto desta enfermidade".

A fala do líder evangélico contradiz estudos científicos e orientações de autoridades sanitária que apontam a ineficácia do chamado "kit covid" no tratamento da doença e que alertam, inclusive, para efeitos colaterais da medicação inadequada.

Na mesma linha de Bolsonaro, Malafaia questiona "quem são os verdadeiros negacionistas" e cita rapidamente dados sobre a pandemia em países como Nigéria e Etiópia, que, segundo o pastor, adotam o protocolo.

Mesmo com os recordes diários de mortes pela covid-19 e o colapso do sistema de saúde por todo o país, o pastor fez uma série de críticas a medidas de restrição de circulação como o lockdown. Ainda no vídeo, Malafaia critica que a imprensa só fala em "morte, morte e morte", sem mostrar o número de recuperados.

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