Atos pró-Bolsonaro são marcados por ataques ao Congresso e ao STF

Manifestantes pró-governo reúnem-se na manhã deste domingo (15) em várias cidades do país para atos em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ainda não há estimativa oficial de quantas pessoas participam dos atos.

Em algumas das principais capitais do país, como Rio de Janeiro e Brasília, as aglomerações de pessoas estão sob restrição como medida preventiva dos governos locais contra o coronavírus. Na capital federal, um decreto do governador Ibaneis Rocha (MDB) proibiu aglomerações com mais de 100 pessoas para reduzir o risco de propagação do novo coronavírus.

Ainda assim, milhares de apoiadores do presidente saíram em passeata e carreata pela Esplanada dos Ministérios e pela região central de Brasília. Poucas pessoas, no entanto, usavam máscaras. A Secretaria de Segurança Pública do DF informou que não faria estimativa de público.

Apesar de negarem que a manifestação seja contra as instituições, foram erguidas faixas de ataque ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foram os nomes mais criticados pelos manifestantes. Em cartazes, parlamentares eram chamados de chantagistas. Um deles defendia fogo e álcool com combinação para enfrentar o "vírus" do Supremo.

No caminhão de som, no entanto, o tom foi de defesa do governo. Além de Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sergio Moro, também foi lembrando várias vezes. A crítica ao chamado parlamentarismo branco foi outro ponto destacado. Segundo bolsonaristas, os parlamentares têm extrapolado suas atribuições ao buscar assumir controle sobre grande fatia do Orçamento da União, como na disputa de R$ 30 bilhões por meio do orçamento impositivo.

Uma das líderes do ato em Brasília, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) disse que o povo não precisa de comando para ir às ruas e, a despeito do pedido de Bolsonaro para que evitassem os protestos diante do coronavírus, quer defender o presidente de qualquer jeito.

"O Congresso precisa votar para o Brasil e não mandando recados, como derrubando o veto do BPC na semana passada", disse ela. "Vamos dizer não ao parlamentarismo branco", gritou a deputada em cima de um caminhão de som.

Em Ribeirão Preto (SP), o deputado federal Marco Feliciano (Podemos-SP) disse que a manifestação não é recado para fechar o Congresso Nacional. "Isso aqui é apenas para dizer aos congressistas que a forma de governar o Brasil mudou", afirmou. De acordo com ele, o presidente Bolsonaro reinventou a forma de governar o país. "Precisamos colocar o Brasil no eixo", afirmou o deputado, que é um dos vice-líderes do governo.

 

Deputado Marco Feliciano (PSC-SP) em manifestação pró-governo Bolsonaro em São Paulo. Foto: Reprodução.

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Bolsonaro volta a endossar atos

Apesar de ter desestimulado os atos deste domingo e sugerido que as manifestações fossem remarcadas frente à escalada da crise de saúde, o presidente Bolsonaro voltou a endossar os atos neste domingo. Em suas redes sociais, Bolsonaro está postando vídeos dos protestos em várias cidades do país. 

Desmobilização

Diante da disseminação do coronavírus no Brasil, alguns dos movimentos organizadores, como o Nas Ruas, o Avança e o São Paulo Conservador anunciaram o adiamento do ato, como pediu Bolsonaro em sua última manifestação sobre o assunto.

Mesmo assim, militantes nas redes sociais prometeram sair às ruas neste 15 de março por meio das hashtags #BolsonaroDay e #DesculpaJairMasEuVou. Apoiadores de Bolsonaro e defensores do fechamento do Congresso estimam que há atos em mais de 200 cidades. Estimulados pelo próprio presidente, alegam que o Legislativo não o deixam governar.

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