Alguns deputados e movimentos ignoram Bolsonaro e mantêm atos do dia 15

Mesmo após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter pedido em sua página no Facebook e na TV para a população não ir para as manifestações que ajudou a mobilizar, alguns deputados governistas e movimentos sociais mantiveram os atos. A #DesculpeJairMasEuVou está entre os assuntos mais comentados do Twitter desde a noite de ontem (12).

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O movimento Nas Ruas, que foi criado pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), emitiu uma nota cancelando sua participação nos atos. "Em um momento futuro onde a nação brasileira poderá manifestar Nas Ruas de todo Brasil seu apoio ao presidente e exigir o correto trâmite das reformas administrativa e tributária que serão apresentadas ao Congresso, em segurança, convocaremos novamente", diz a nota do movimento Nas Ruas.

A deputada, inclusive, publicou ontem em seu Twitter, um pedido para que os manifestantes não fossem para os atos. "Vocês, ativistas e apoiadores, já deram um exemplo de mobilização, engajamento, consciência e patriotismo. Vocês JÁ SÃO VITORIOSOS (sic), sem nem mesmo terem ido às ruas. Na hora certa, todos nós voltaremos às ruas, onde sempre estivemos", disse a congressista.

Porém, após ser muito criticada nas redes sociais, a deputada Zambelli fez uma live na tarde desta sexta-feira (13), dizendo que vai sim ao ato da paulista. "Como deputada, eu não sou organizadora, eu sou da base governista do governo. Como deputada da base eu acho que devo respeito ao presidente e às suas orientações", iniciou. "Enquanto cidadã e quanto organizadora de movimentos até pouco tempo atrás, ninguém é dono das ruas. Nem eu, nem o presidente Bolsonaro é dono das manifestações. Nem eu e nem o presidente Bolsonaro. Os donos são vocês, se vocês quiserem ir, vocês vão", continuou. Segundo Zambelli, ela vai "dar uma passadinha" na Avenida Paulista.

 

O deputado Éder Mauro (PSD-PA) disse em seu Twitter que, por ele, as manifestações em Belém estão mantidas. O bolsonarista, porém, ficou de confirmar na noite desta sexta.

Eder Borges, funcionário do site bolsonarista Terça Livre e ativista de direita, também confirmou sua presença nos atos. "Vou por minha conta e risco talkei (sic)?", disse o militante em seu perfil do Facebook.Para o grupo que ficou acampado por mais de um ano em frente a sede da Justiça Federal em Curitiba, em defesa da Lava Jato, que é apoiador de Bolsonaro, o presidente - por mais que tenha dito para não irem -, deseja que o povo vá para as ruas. "Sabe aqueles filmes de guerra em que, por causa do regulamento, o comandante dá uma ordem, mas espera que os soldados desobedeçam?", questionou o grupo Acampamento Lava Jato em sua página do Facebook.

A deputada aliada do presidente, Bia Kicis (PSL-DF), havia compartilhado ontem o pronunciamento de Bolsonaro, em que ele pedia o cancelamento dos atos. Hoje, porém, a congressista compartilhou uma publicação que diz: enquanto Bolsonaro destrói a destruição, nós cancelamos o cancelamento.

A tentativa dos aliados do presidente é de descolar dele a responsabilidade pelos atos, que ele, apesar de ter negado anteriormente, convocou. Bolsonaro negou uma reportagem da Vera Magalhães, do Estadão, em que mostrava que os atos contra o Congresso estavam sendo incentivados por ele. Poucos dias depois de atacar, por mais mais vez, a jornalista, o presidente da República foi à público e pediu para que a população fosse para ruas apoiar seu governo.

Agora, porém, Bolsonaro recuou. Depois de ter mobilizado as manifestações até três dias antes dos atos,  a tentativa do grupo apoiador do presidente é de tirar dele as responsabilidades dos prováveis ataques que os poderes da República sofrerão e da proliferação do coronavírus.

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