PSB vai reavaliar posição contrária à reforma da Previdência

Marina Barbosa

Com uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados, o PSB pode rever sua posição em relação à Reforma da Previdência. É que, apesar de ter fechado posição contrária à proposta de forma unânime em abril, o diretório nacional da sigla marcou nova reunião para reavaliar o texto. O encontro acontece no próximo dia 8, na mesma semana em que o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quer levar o texto para plenário.

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O diretório nacional do partido explicou que a atual posição foi tomada em relação à proposta apresentada pelo governo e precisa ser reavaliada já que esse texto está sendo alterado na comissão especial da reforma no Congresso. “Quando decidimos fechar a questão contra a reforma, decidimos também que, como a proposta que sairia da comissão seria muito diferente, não poderíamos fechar questão em relação a uma coisa que não conhecíamos. Então, agora na comissão, como ficou acertado antes, vamos votar contra. Mas, no dia 8, antes da proposta ir ao plenário, vamos reavaliar o texto”, explicou o líder do PSB na Câmara, Tadeu Alencar (PE).

“Vamos examinar o relatório que vai ser votado na próxima semana para apreciar qual é de fato a mudança que vai a plenário e a, partir dela, discutir nossa posição”, endossou o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira. Ele não deu, porém, muitas pistas do sentimento geral do diretório em relação às mudanças que têm sido feitas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP), que vai ler o seu parecer final na próxima terça-feira (2). “Agora, não vejo tendência de mudar. Mas, como não conhecemos o relatório ainda e ainda há muitas nuances a serem definidas, vamos apreciar o que de fato irá a plenário”, desconversou Siqueira.

Alencar, por sua vez, disse que a maior parte da bancada segue com ressalvas ao texto. “Há algumas pessoas mais simpáticas, mas mesmo essas pessoas têm observações”, afirmou o deputado, que mantém posicionamento contrário à reforma. “Embora tenha tido avanços, principalmente na capitalização, na aposentadoria rural e no BPC (Benefício de Prestação Continuada), a proposta continua onerosa para os mais vulneráveis, os mais pobres”, reclamou.

Ele lembrou, por sua vez, que a decisão do diretório não depende apenas da bancada. Por isso, fica a dúvida se um possível acordo entre governadores e Maia em relação à reinclusão de estados e municípios na reforma poderia convencer parte do partido a votar favoravelmente à reforma. “Governadores poderão influenciar até porque são membros do diretório”, reconheceu Siqueira.

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