Presidente do PP passou a atuar pelo impeachment

Senador Ciro Nogueira estava com um pé no governo Dilma, mas mudou de posição e agora defende processo contra a presidente. “Vamos tentar unificar a bancada para votar unificada”, disse a deputados

Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) passou as últimas semanas negociando com o Palácio do Planalto a ampliação do espaço do partido no governo. Isso significava que a presidente Dilma Rousseff estava disposta a nomear algum indicado pela legenda para ocupar o ministério da Saúde, a pasta com maior orçamento na Esplanada, a presidência da Caixa e a manutenção do ministério da Integração com um nome da legenda.

“Vamos tentar unificar a bancada para votar unificada pelo impeachment”, disse Ciro aos deputados do PP, que tem mais de 30 parlamentares investigados na Operação Lava Jato.

Mas, no final da tarde desta terça-feira (12), Ciro Nogueira informou que tomou outro caminho, abandonou o governo e está conversando com os deputados que votaram contra o impeachment na comissão e na reunião da bancada a mudarem de voto e aprovarem a abertura de processo contra a presidente. Na reunião da bancada durante a tarde, dos 44 deputados, 13 votaram contra o impeachment.

O PP decidiu não obrigar seus deputados a votar contra o governo. Mas o líder do partido na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), ex-ministro das Cidades do governo Lula, vai encaminhar pelo voto a favor do impeachment – mesmo na condição de quem votou, ontem (segunda, 11), contra o processo na Comissão Especial Processante, onde o parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) foi aprovado por 38 votos a 27.

Entre os nove votos do PP contra o impeachment está o de Mario Negromonte Junior, da Bahia. Ele é filho do ex-ministro das Cidades do primeiro governo Dilma, Mário Negromonte, hoje conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios. À parte as ligações entre o governo e Negromonte Junior – que, mesmo tendendo a votar a favor da presidente, diz que ainda não sabe como votará –, a relação do PP com o PT é mais íntima do que se supõe. O Partido Progressista tem o vice governador da Bahia, João Leão, antigo parceiro do PT no Congresso – especialmente na Comissão Mista de Orçamento. Além disso, o filho de João Leão, Cacá Leão (BA), também é deputado federal do partido e se diz indeciso.

Além do Ministério da Integração, o PP também indicou o presidente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), Felipe Mendes de Oliveira, que foi comunicado que deverá pedir demissão. O PP também indicou dezenas de funcionários e assessores em outros cargos de segundo e terceiro escalões no governo federal. A rigor, esse grupo também terá que pedir demissão.

Nem mesmo a relação de amizade da família Negromonte com o ex-governador baiano Jaques Wagner, atual ministro do Gabinete Pessoal da Presidência da República, está conseguindo reverter os votos do PP baiano a favor do impeachment.

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