Lula e Waldir Maranhão se unem contra Cunha

“Fiel” a Cunha pelo menos até a votação do impeachment na Câmara, Maranhão acertou com Lula nesta sexta-feira que a prioridade agora é minar poder do peemedebista, que articula sucessão na iminência de ser cassado. Informações são da coluna Painel (Folha)

Alvo de investigação preliminar da Operação Lava Jato, em inquérito conduzido pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Lula se mantém ativo nos bastidores. Depois de ter atuado presencialmente, em abril, em busca de votos na Câmara contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o cacique petista agora mira no responsável pela tramitação do processo de impedimento, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu em duas ações penais na Lava Jato.

Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, a estratégia de Lula agora é se unir ao presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), para minar as chances de que seja eleito para o comando da Casa um aliado de Cunha, que pode ter o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar nas próximas semanas. Maranhão se declarava “fiel” ao peemedebista pelo menos até abril, quando declarou voto contra o impeachment de Dilma.

“Em conversa nesta sexta-feira (1º), Waldir Maranhão e o ex-presidente Lula se uniram contra Eduardo Cunha. Ambos compartilharam o entendimento de que o principal objetivo na sucessão da Câmara deve ser evitar que alguém ligado ao peemedebista ou apoiado por ele assuma a cadeira. Parte da antiga base de Dilma Rousseff já reconhece que é melhor trabalhar por um candidato da base aliada de Temer, mas de fora do ‘centrão’, a ver eleito um afilhado político de Cunha”, diz a nota que encabeça a coluna Painel neste sábado (2).

Às vésperas do já fatídico 17 de abril, quando Dilma perdeu a primeira batalha do impeachment na Câmara por 367 votos a 137, Lula e Maranhão se encontraram em um hotel a cerca de três quilômetros do Congresso, onde o ex-presidente promoveu encontros com uma série de deputados – até Tiririca (PR-SP) se reuniu com Lula no dia anterior à votação, mas votou contra Dilma. E se no caso de Tiririca a abordagem do petista não surtiu efeito, no caso de Maranhão o pleito deu resultado.

Quando chegou sua vez de votar, Maranhão se dirigiu a Cunha e, como que se desculpando, proferiu: “Senhor presidente, deputados, deputadas. Todos nós estamos emocionados. Todos nós estamos atentos, julgando a nós próprios, respeitando consciências. Eu quero dizer ao Partido Progressista, que firmou questão, mas, em desacordo com a posição de meu partido, eu quero dizer, meu presidente querido: continuarei sendo leal à sua pessoa como presidente desta Casa. Quero dizer ao meu governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino [PCdoB], que sonhou com a mudança, que vai transformar o nosso estado. Em defesa da Constituição, em defesa da democracia... Não, sim, não ao golpe! Contra o impeachment”, discursou Maranhão, confundindo-se entre o “não” e o “sim” e recebendo mais vaias do que aplausos, no que seria seu primeiro discurso da Mesa Diretora em 2016.

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