Hillary: Dilma cria “padrão mundial” contra corrupção

A crescente demanda por informações públicas deverá mudar a mentalidade dos principais governantes do mundo. De acordo com a secretária de Estado norte-americano, Hillary Clinton, não há mais como fugir da prestação de informações públicas

Os esforços da presidenta Dilma Rousseff para diminuir a corrupção em seu governo - demitindo ministros envolvidos em denúncias e desestimulando a prática do "toma-lá-dá-cá" - foram elogiados pela secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton. Para Hillary, o comportamento de Dilma no enfrentamento dessas questões estabelece um "padrão mundial" a ser seguido pelos demais países. A secretária norte-americana afirmou hoje (segunda, 17) que, no futuro, os países serão reconhecidos como abertos aos seus cidadãos ou fechados. "No século XXI, os Estados Unidos estão convencidos de que uma das divisões de nações mais importantes não será se estão no Norte ou no Sul, por religiões ou por outras razões. O que vai dividir as nações é se elas são sociedades abertas ou não", disse.

 

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Para Hillary, as ações de Dilma precisam ser observadas por todo o mundo. "Temos agora a oportunidade de estabelecer novos padrões mundiais para a boa governança, a prestação de contas, e nenhum melhor parceiro para essa iniciativa do que o Brasil", disse.

Hillary está no Brasil para uma visita de dois dias. Hoje (17), ela participou da reunião da 1ª Conferência Anual de Alto Nível da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership), realizada em Brasília. O evento firma a parceria entre Brasil e Estados Unidos celebrada no ano passado, quando os dois governos criaram o grupo.

Para Hillary, a tecnologia existente nos dias de hoje torna mais difícil a manutenção de um Estado fechado, que não prioriza a participação de seus cidadãos, e alheio ao que acontece no mundo. Segundo a norte-americana, esses países fechados "descobrirão rapidamente, neste mundo da internet, que serão deixados para trás", disse durante o discurso.

Troca de experiências

Para a presidenta Dilma Rousseff, o evento proporciona a oportunidade de trocar experiências sobre as melhores práticas para a abertura de informações governamentais. Em maio, entra em vigor a Lei de Acesso à Informação, que obriga os governos a criarem instrumentos de transparência para o acompanhamento dos cidadãos.

O ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, afirmou que a eficiência dos serviços públicos depende da maior abertura de informações disponíveis ao escrutínio público. Ele disse ainda que povos do mundo inteiro querem transparência tanto no âmbito dos governos quanto no das grandes empresas, instituições financeiras e entidades civis. "Não há melhor desinfetante que a luz do sol", completou.

Hage também afirmou que o governo brasileiro está "orgulhoso"de guiar os trabalhos do grupo. "É uma iniciativa que já nasce vitoriosa, caso contrário, não teríamos tantas adesões em tão pouco tempo. Estamos esperançosos", disse.

Parceria

A Parceria para Governo Aberto foi acordada entra Brasil e Estados Unidos em setembro de 2011. Capitaneada pela presidenta Dilma Rousseff e pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama, a iniciativa contou, no início, com a adesão de oito países. Durante o evento, 42 países formalizarão a adesão ao grupo, que terá no total, 55 países-membros. A intenção é discutir globalmente ações para a abertura de dados governamentais. "A partir de hoje, um quarto da população mundial viverá sob o comando de países que aceitaram discutir o acesso a informação e implementar ações neste sentido", disse Hillary.

De acordo com a embaixada dos Estados Unidos, os novos membros anunciarão compromissos concretos para prevenir a corrupção, promover a transparência e utilizar novas tecnologias para o empoderamento dos cidadãos.

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