Deputado questiona versão de agressão a senadores brasileiros na Venezuela

De acordo com o parlamentar petista, um acidente interrompeu o trânsito do aeroporto de Caracas ao centro da cidade. 'Quando cheguei estava o barulho feito, devido ao episódio que eles criaram', disse

A versão de que a comitiva de senadores brasileiros foi impedida pelo governo da Venezuela de visitar líderes políticos da oposição foi criticada pelo deputado João Daniel (PT-SE). O petista, que também chegou na quinta-feira (18) a Caracas, capital venezuelana, disse que um acidente impediu a passagem da comitiva, e não um protesto convocado pelo governo, conforme argumentaram os senadores.

A comitiva formada pelos senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO), Aécio Neves (PSDB-M), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), José Medeiros (PPS-MT), Agripino Maia (DEM-RN), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Ricardo Ferraço (PMDB-ES) se dirigiu ao país vizinho com o objetivo de visitar líderes políticos que se opõem ao governo de Nicolás Maduro.

“Cheguei no aeroporto de Caracas, acompanhei e vi um acidente que, infelizmente, ocorreu e, nesse acidente, uma carreta de farinha ficou trancando a rodovia por muito tempo durante o dia. Eu saí do aeroporto e, junto com as pessoas que me trouxeram, demoramos quase quatro horas para chegar no centro de Caracas. Quando cheguei estava o barulho feito, devido ao episódio que eles criaram, na minha opinião”, disse o petista, que também chegou na quinta-feira, em um voo comercial, à capital venezuelana.

Ontem, os senadores postaram mensagens em redes sociais dizendo que a van em que foram transportados foi hostilizada por manifestantes ao sair do aeroporto de Caracas. Segundo relato dos senadores, o veículo parou em um congestionamento e chegou a ser apedrejado, e eles tiveram que retornar ao aeroporto, porque não havia segurança para prosseguirem para a visita ao ex-prefeito de Chacao, Leopoldo Lopez, preso desde fevereiro de 2014, sob a acusação de incitar violência na manifestação opositora de 12 de fevereiro, que resultou em mortes e danos na sede do Ministério Público. A data marcou o início de uma onda de protestos no país, que resultou em 43 mortos.

Para o deputado petista, o incidente com a comitiva serviu para que a oposição tentasse causar constrangimento entre os dois países. "Tudo não passa de um fato político para criar constrangimento entre o governo do presidente Nicolás Maduro e o da presidenta Dilma Rousseff”, complementou Daniel durante transmissão de vídeo para debater o ocorrido.

Com a repercussão do caso, os presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Sendo, Renan Calheiros (PMDB-AL), cobraram resposta das autoridades brasileiras. Nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores rebateu as alegações de que o embaixador brasileiro na Venezuela, Ruy Pereira, não deu apoio necessário à comitiva de senadores que tentou visitar líderes políticos oponentes do regime de Nicolás Maduro. Pela manhã, o chanceler Mauro Vieira ligou à ministra das Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez e também pediu esclarecimentos sobre o incidente com senadores brasileiros no país vizinho.

“O governo se manifestou e condenou a hostilidade que os senadores receberam. Esse processo vai continuar”, disse Cunha que defende nova missão ao país vizinho, integrada também por deputados.Ainda ontem, o plenário do Senado aprovou a ida de nova comissão a Caracas, com a finalidade de “verificar in loco a situação política, social e econômica” do país. A nova comissão será composta pelos senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

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