Cunha pede ao STF para se defender de cassação em plenário

Presidente afastado da Câmara foi abandonado pela ampla maioria da tropa de choque – poucos apareceram na reunião por ele marcada para esta segunda-feira. Peemedebista promete para amanhã mais um pronunciamento para se defender

Afastado da Presidência da Câmara desde maio e com pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vai recorrer à última manobra para tentar manter o mandato: pediu ao ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal (STF), para se defender pessoalmente das acusações de quebra de decoro por ter mentido à CPI da Petrobras sobre suas contas não declaradas no exterior. A defesa em plenário feita pelo próprio deputado em julgamento não é prevista no regimento da Casa.

Cunha foi abandonado por sua tropa de choque. O grupo multipartidário que defendia uma punição mais branda que a cassação do mandato – decisão do Conselho de Ética com votação prevista para julho em plenário – evitou participar de reunião convocada por Cunha para esta segunda-feira (20), na residência oficial onde Cunha ainda mora em Brasília. O encontro entre amigos teria servido para uma demonstração de força e para traçar estratégias de defesa do parlamentar, mas não deu certo.

Um dos amigos mais fiéis a Cunha, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) foi um dos poucos a visitar Cunha nesta segunda. Saiu do encontro sem ter conseguido convencer o presidente afastado da Câmara a renunciar ao cargo como forma de reduzir a tensão em plenário, como preparação de terreno para uma punição mais branda ao peemedebista.

Marun e outros aliados já tinham feito a mesma proposta mais de uma vez, como este site mostrou na última quarta-feira (15), mas não convenceram o amigo. Outros deputados convidados por Cunha para conversas nesta segunda não chegaram em Brasília a tempo. Na nota que divulgou no final da tarde, Marun informa que nenhum outro deputado estava no encontro.

Alternativas

Aliados de Cunha como o deputado Beto Mansur (PRB-SP), primeiro secretário da Câmara, já negocia a eleição para a escolha do novo presidente da Casa. O próprio Mansur aceita ser candidato, com a missão de ficar no posto até fevereiro do próximo ano, quando termina o mandato oficial e haverá nova eleição para a Mesa. Se essa manobra der certo e Mansur for eleito, uma outra eleição solteira terá que ser feita especificamente para o cargo hoje ocupado por Mansur.

Outro candidato ao mandato tampão no lugar de Cunha é Fernando Giacobo (PR-PR). Ele já vem dirigindo as sessões com votações polêmicas em substituição ao presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), considerado politicamente incapaz de coordenar os trabalhos em plenário – curiosamente, Maranhão conduz a sessão desta segunda-feira, mas, sob críticas de alguns aliados de Cunha, como o próprio Marun, o parlamentar maranhense comanda apenas uma sessão de debates nesta noite, com a votação de proposições já transferida para amanhã. Giacobo já avisou que aceita a tarefa, mas precisa conseguir apoio para a sua candidatura.

Os líderes da principais bancadas – PMDB, PSDB, DEM, Solidariedade – já articulam a indicação de um nome para a eleição de novo presidente da Casa, assim que Cunha for cassado em plenário. Esses partidos enfrentam a resistência do chamado Centrão, grupo de legendas como PP, PR, PRB e PSC, que apoiaram a eleição de Cunha no ano passado e não desejam a sua cassação.

Complicações

As dificuldades políticas de Cunha aumentaram com o pedido de sua prisão feito há duas semanas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Além disso, pesa contra o peemedebista a previsão de julgamento por seu envolvimento na Operação Lava Jato, investigação que já o transformou em réu no STF, e outros esquemas ilícitos.

Cunha prometeu fazer um pronunciamento público nesta quarta-feira, mas não revelou o conteúdo da fala. Seus últimos amigos acreditam que ele fará novamente a defesa de que não tem contas secretas no exterior e não cometeu qualquer crime que justifique sua cassação.

 

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