Ministro da Agricultura vê “fantasias” e “idiotices” da PF em conclusões da Carne Fraca

Blairo Maggi diz que a Polícia Federal demonstrou falta de conhecimento sobre as regras que regem o setor ao condenar, por exemplo, o uso de ácido ascórbico na mistura de alimentos, de papelão em lotes de frango e de carne de cabeça de porco

 

José Cruz/ABr

Blairo Maggi na entrevista coletiva em que criticou a "narrativa" da Polícia Federal sobre as irregularidades constatadas na Operação Carne Fraca

 

O Ministério da Agricultura atacou a forma com que a Polícia Federal divulgou as apurações da Operação Carne Fraca, que investiga esquema de pagamento de propina e liberação de produtos irregulares. Em entrevista coletiva no domingo (19), o ministro Blairo Maggi elevou o tom das críticas ao trabalho da PF após participar de reunião com o presidente Michel Temer e outros integrantes do governo para discutir os efeitos da operação.

Para Blairo, a “narrativa” da Polícia Federal ao divulgar as ações da Carne Fraca está cheia de “fantasias” e “idiotices”. A partir de agora, segundo ele, o ministério e a PF vão atuar juntos nas investigações. “Em função da narrativa é que se criou grande parte dos problemas que temos hoje”, afirmou.

O ministro disse que a PF demonstrou falta de conhecimento sobre as regras que regem o setor ao condenar, por exemplo, o uso de ácido ascórbico na mistura de alimentos, de papelão em lotes de frango e de carne de cabeça de porco.

“Essa questão do papelão, está claro no áudio que estão se falando de embalagens e não falando de misturar papelão na carne. Senão é uma idiotice, uma insanidade, para dizer a verdade. As empresas brasileiras investiram alguns milhões, milhões e milhões de dólares dos seus mercados, há mais de dez anos, para consolidar mercado, e aí você pega uma empresa que é exportadora e vai dizer que misturou papelão na carne? Pelo amor de Deus. Não dá para aceitar esse tipo de situação”, disse.

Blairo afirmou que “está escrito no regulamento” que a carne de cabeça de porco pode ser utilizada em embutidos, diferentemente do que informou a PF. Ele disse, ainda, que o ácido ascórbico, divulgado como cancerígeno, “é vitamina C e pode ser utilizado em processos”.

“A narrativa nos leva até a criar fantasias. Não estou dizendo que não tenha sentido a investigação. Com toda certeza tem. Quando estamos falando ‘fiquem tranquilos’ é porque a gente conhece a maior parte do nosso sistema, 99% dos produtores de alimentos fazem as coisas transparentes, fazem as coisas certas”, declarou o ministro.

Mercado

O ministro demonstrou preocupação com os efeitos negativos para a produção brasileira de carnes. No ano passado as exportações de frango e carne bovina somaram US$ 10,3 bilhões. O Brasil responde atualmente por 7% do mercado mundial de carnes. Ele afirmou que serão divulgados, nesta segunda-feira (20), o nome e dos dados das empresas citadas nas investigações e para quais países elas exportaram nos últimos dois meses. De acordo com o ministro, seis dos 21 frigoríficos investigados pela Carne Fraca exportaram produtos nos últimos 60 dias. As informações foram solicitadas pela China e pela União Europeia.

“Acho absolutamente natural que os países façam isso, estaremos prontos a responder a todos os países que se manifestarem. Temos que ser o mais transparentes possíveis nesse processo, dando as informações, de imediato, para que não restem dúvidas sobre a lisura do processo que o Brasil tem”. Blairo ainda anunciou aperto na fiscalização de 21 frigoríficos suspeitos e prometeu identificar os lotes vendidos por essas unidades.

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