Médico brasileiro nos EUA relata escassez inédita de equipamentos de saúde

O médico brasileiro Herlen Alencar, especialista em Radiologia Intervencionista pela Harvard Medical School, atualmente trabalha em hospital em Boston, Massachusetts, nos Estados Unidos. Ao Congresso em Foco ele relatou que os profissionais de saúde norte americanos passam um momento de forte stress e risco em decorrência da falta de equipamentos para o combate à pandemia de covid-19. Ele relata que em muitos hospitais parte da equipe já foi afastada por contaminação por coronavírus e profissionais já morreram por conta da doença.

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"No hospital onde eu trabalho a gente está fazendo racionamento de equipamento; antes era uma máscara nova cada vez que iríamos examinar um paciente, agora é uma máscara por dia, se a máscara não tiver nem danificada e nem suja", relata. 

"Eu estou aqui há 17 anos e nunca vi isso aqui, pelo contrário, as coisas aqui sobram, aqui é o país da bonança, aqui tudo tem muito. E você em três semanas, passar da situação em que tudo tem demais para uma situação de racionamento é uma questão surreal que a gente está vendo em hospitais do país inteiro. Falta ventilador, falta leito de UTI, falta equipamento de proteção. Está faltando zelador, faxineiro e segurança também. Em Nova York, os policiais estão ficando doentes, as pessoas das ambulâncias também. Está faltando tudo", conta.

O médico relata que a situação obriga muitos profissionais a se exporem sem o equipamento adequado, o que tem feito aumentar o número de casos de covid-19 em trabalhadores do setor de saúde.

"Quando um profissional de saúde, um médico, um enfermeiro, um fisioterapeuta, o profissional que cuida da limpeza, começa a ficar doente por falta de proteção adequada, o primeiro problema é que é um doente a mais. Você deixa de ser uma pessoa tratando doentes e vira mais uma pessoa que precisa de tratamento. Um médico, um fisioterapeuta e um enfermeiro ajudam cerca de 10, 15 ou 20 pacientes num dia e essa pessoa desaparece. A gente não tem reserva de profissional de saúde", afirma.

"A gente não está numa situação tão grave como a da Itália, por exemplo, em que os médicos continuavam trabalhando mesmo doentes por não ter quem trabalhasse. Testavam positivo e continuavam trabalhando por apresentarem sintomas leves. Existe a possibilidade da gente chegar nessa realidade", prevê.

A situação relatada por Herlen já começa a ser vista também no Brasil, país que ainda está no estágio inicial da pandemia. Com a dificuldade de acesso a equipamentos, o país já começa a ver profissionais de saúde serem afastados por terem contraído o coronavírus. Em São Paulo já são 3.346 profissionais que deixaram de trabalhar e no Rio de Janeiro, 1.076. 

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