O eleitor está na internet, conquiste-o!

*Luiz Alberto Ferla

Enquanto nos Estados Unidos os candidatos à presidência utilizam a internet com maestria para conquistar os eleitores, aqui no Brasil ainda deparamos com a falta de interesse dos "marqueteiros" tradicionais, que menosprezam o poder dessa nova mídia.  Se levarmos em conta que o número de pessoas com acesso à internet no Brasil já soma mais de 82,4 milhões – o que corresponde a 43% da população brasileira – e que essas pessoas passam cerca de cinco horas por dia nas redes sociais e fazem uso cada vez mais diversificado delas, chegamos à conclusão de que se trata de uma mídia muito valiosa para ser desperdiçada. Das duas uma: ou os "marqueteiros" temem perder o status que conquistaram a partir das Diretas Já, pois não dominam essa nova mídia, ou ignoram o muito que se consegue com a aplicação de uma boa estratégia digital.

O mundo digital não para de crescer e a democracia não vai escapar das mudanças provocadas pela internet, a exemplo do que já ocorreu com as empresas 2.0. Desde o momento em que os primeiros estrategistas de Business Intelligence identificaram o poder das mídias sociais, as equipes de marketing estão atentas à rotina dos consumidores para descobrir o que gostam, o que odeiam, de quais comunidades participam, comentários deles com seus amigos, suas fotos, a que horas mandam sua primeira mensagem do dia e muitas outras informações. No universo político, a corrida para estar na web 2.0 é fato.

Um bom exemplo é Barack Obama. Em 2008, então candidato ao governo dos Estados Unidos, ele desenvolveu uma excelente estratégia na internet e, reunindo colaboradores de forma inédita, superou seus adversários conquistando eleitores e doadores para sua campanha. Um de seus vídeos foi acessado por mais de 19 milhões de pessoas, no YouTube.

Na campanha de 2012, a equipe de Obama volta a dominar, utilizando os meios digitais para focar em grupos-chave para a eleição, como os hispânicos, as mulheres e os jovens americanos. Suas comunicações on-line estão ainda melhores que em 2008. Um estudo feito pelo Centro do Pew Research de Projetos de Excelência em Jornalismo revelou que Obama faz uma média de 29 tweets por dia. A Burson – Marsteller, consultora responsável pelo Twiplomacy, informa que Obama começou a campanha presidencial com cerca de 17 milhões de seguidores.

Aqui no Brasil, nas últimas eleições presidenciais ocorreu um fenômeno similar, com a candidata Marina Silva (PV) destacando-se na web, o que mudou drasticamente o cenário que apontava para a vitória de Dilma Rousseff (PT) já no primeiro turno.

Precisamos admitir que a internet provocou uma intensa transformação no comportamento da humanidade e na forma de fazer política.  Foi assim anteriormente com o rádio e a TV, porque o surgimento de novas mídias resulta em  novos hábitos e práticas. A internet acrescenta às nossas vidas algo que ainda não ocorria em outras mídias: a interatividade. Gostamos disso. Na web, não é permitido falar como se estivesse num tradicional comício. Neste espaço democrático, antes de falar, é melhor escutar, compartilhar, trocar experiências, dividir e discutir pontos de vista.

Nas eleições deste ano, quase dois milhões de jovens irão às urnas pela primeira vez. Dados recentes divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 41,36% do eleitorado brasileiro tem menos de 34 anos. Falamos aqui de jovens que respiram tecnologia e que vivem conectados – computador ou smartphone. Essa imensa parcela de eleitores está na internet, interagindo nas redes sociais. Ou você acha que eles vão ficar em frente à TV, assistindo ao horário eleitoral gratuito?

*CEO da Talk, Knowtec, KeepingUp e DDBR – grupo de empresas de soluções digitais

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