A pandemia e o Brasil: o que era pra ser e o que se tornou

Brasil, aurora de 2020. Instala-se uma epidemia de grandes proporções. Era para ser um momento de muito sofrimento, mas igualmente de oportunidades únicas. Como ensinava Albert Einstein:

“A crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise se supera a si mesmo sem ter sido superado”.

Pois é. Era para ser um momento de reinvenção do sistema de saúde. De fazê-lo proativo. De ir às ruas prevenir. Mas foi apenas um momento de espera pelos enfermos que chegavam em hospitais ora sucateados, ora improvisados.

Era para ser a hora de tratarmos da prevenção. De mobilizarmos o país rumo ao saneamento básico universal. De buscarmos a disseminação de hábitos básicos de higiene. Mas foi apenas o momento de tratar, como fosse possível, das consequências dessas deficiências tão históricas como absurdas.

Era para ser uma época de reinvenção da economia. Da criação de novos sistemas de trabalho e vendas. De reduzirmos a dependência de produtos importados. De mudarmos nossa matriz de transportes. Mas foi apenas um momento de recessão, de espera de benesses governamentais e do retorno ao ramerrão habitual.

Era para ser um virar de página na administração pública. A hora de, através da tecnologia, trazê-la para o século 21. De discutirmos o fim da burocracia. Mas foi apenas uma fase de adiamentos e de prorrogações de prazos. Do uso temporário de sistemas de videoconferência como “um grande passo tecnológico” enquanto é impossível o retorno à mediocridade.

Era para ser o momento de repensarmos o Brasil, cujos filhos encontraram pelo mundo afora humilhações e abandono. De refletirmos sobre as indignidades de que fomos vítimas, do desvio de equipamentos já contratados ao envio de produtos de qualidade ultrajante. De olharmos com mais carinho nossas tão ricas cultura e idioma. Era para ser o momento de compreendermos que temos uma realidade distinta da de muitos países, e não podemos simplesmente copiar o que se faz neles.  Mas foi apenas, e ao custo de muitas vidas e recursos, a celebração de um espírito provinciano tão indigno do Brasil.

Era para ser, e concluo, um momento de grandeza. Não de mesquinharia e mediocridade. Pobre Brasil!

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