Aliados de Trump, Netanyahu e Orbán acenam a Biden e isolam Bolsonaro

Passadas mais de 24 horas do anúncio da vitória de Joe Biden, o presidente Jair Bolsonaro é um dos poucos chefes de Estado, dentre as principais democracias do mundo, a não ter cumprimentado o presidente eleito dos Estados Unidos.

O isolamento de Bolsonaro ficou mais evidente neste domingo, quando dois ícones atuais da direita parabenizaram e desejaram sucesso ao candidato democrata: os primeiros-ministros de Israel, Benjamin Netanyahu, e da Hungria, Viktor Orbán. Aliados de Donald Trump e do próprio presidente brasileiro, eles são conhecidos pelo extremismo à direita. Assim como Bolsonaro, Orbán declarou apoio publicamente à reeleição de Trump.

Sem conseguir a reeleição, o presidente americano não reconhece a derrota, diz que foi roubado e que levará a decisão para a Justiça. Outro líder conservador, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi um dos primeiros, ainda ontem à tarde, ao saudar Biden pela vitória.

“A América é nosso aliado mais importante e estou ansioso para trabalhar estreitamente em nossas prioridades compartilhadas, desde a mudança climática até o comércio e a segurança", tuitou Johnson.

Um dos poucos chefes de Estado a comparecer à posse de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, Netanyahu demonstrou interesse em manter bom relacionamento com o novo colega americano.

"Parabéns a Joe Biden e Kamala Harris. Joe, nós temos uma longa e calorosa relação pessoal por quase 40 anos e eu o conheço como um grande amigo de Israel", publicou o israelense no Twitter. "Eu estou ansioso para trabalhar com vocês dois para fortalecer a especial aliança entre EUA e Israel", emendou o premiê, estendendo seus cumprimentos à vice-presidente eleita, Kamala Harris.

Viktor Orbán, que também acompanhou em Brasília a posse de Bolsonaro, encaminhou um ofício a Biden reconhecendo sua eleição, na tentativa de reverter o mal-estar criado com declarações recentes. O primeiro-ministro húngaro acusou os democratas de exercer um “imperialismo moral” e disse, em setembro, que tinha Trump como seu “plano A” e que não cogitava de tratar com qualquer outro presidente na Casa Branca.

Bolsonaro, que declarou apoio à reeleição de Trump, de quem se diz amigo, usou as redes sociais no fim de semana para tratar de outros assuntos. O presidente brasileiro tem sido pressionado por aliados a reconhecer a vitória de Biden. Até o momento ele tem preferido esperar por uma manifestação do republicano.

O entendimento entre analistas da política externa é de que o governo Bolsonaro terá de rever posicionamentos em relação à questão ambiental, assunto que já causou atrito entre ele e Biden durante a campanha eleitoral. Na última semana, o brasileiro sugeriu que o democrata tentava se intrometer em assuntos do Brasil ao defender maior proteção para a Amazônia.

"O candidato democrata em duas oportunidades falou sobre a Amazônia. É isso que vocês querem para o Brasil? Interferência de fora para dentro?", disse Bolsonaro em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada na última quarta-feira. No dia seguinte, em Florianópolis, o presidente disse que Trump “não é a pessoa mais importante do mundo”. “Eu não sou a pessoa mais importante do Brasil, assim como Trump não é a pessoa mais importante do mundo, como ele mesmo diz. A pessoa mais importante é Deus. A humildade tem que se fazer presente entre nós”, afirmou em discurso.

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