Gilmar arquiva inquérito contra Aécio no caso Furnas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou recomendação da Polícia Federal e arquivou mais uma investigação contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que agora passa a ser alvo de oito inquéritos na Corte. O que foi arquivado nesta sexta-feira (29) é relativo à estatal Furnas Centrais Elétricas, e investigava o tucano, em desdobramento da Operação Lava Jato, por suspeita de recebimento de propina por meio de fraude em contratos.

STF arquiva inquérito contra Aécio por prescrição

No despacho de arquivamento, Gilmar se amparou em relatório da PF apontando falta de provas de que Aécio integrava esquema de corrupção na estatal do setor elétrico. Subsidiária da Eletrobras, Furnas é uma das empresas de economia mista saqueadas por estruturas de corrupção que reuniam políticos, dirigentes apadrinhados e operadores diversos.

O delegado responsável pelas investigações alegou, no relatório encaminhado ao STF, que os depoimentos de políticos e delatores foram insuficientes como "elementos que apontem para o envolvimento" do tucano. "A partir do conteúdo das oitivas realizadas e nas demais provas carreadas para os autos, cumpre dizer que não é possível atestar que Aécio Neves da Cunha realizou as condutas criminosas que Ihe são imputadas", anota a PF.

A denúncia

O inquérito tem origem em 2016, após denúncia formalizado pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Na ocasião, Janot apontou a possibilidade de que o senador tivesse cometido os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Os fatos investigados estão relacionados a informações prestadas em acordo de colaboração premiada de Alberto Youssef e do ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), delatores da Lava Jato que acusaram Aécio de ter exercido influência sobre Furnas e recebido valores mensais, por intermédio de sua irmã, a partir de empresas contratadas pela empresa de economia mista entre 1994 e 2001.

Coleção

Além do inquérito arquivado hoje (sexta, 29), Aécio é alvo de investigações por lavagem de dinheiro, obstrução de Justiça e corrupção passiva. Em um dos casos, a partir de trecho da delação de Joesley Batista, dono da JBS, Aécio é acusado de receber R$ 60 milhões em 2014, quando disputou a Presidência da República. Segundo o empresário, o senador voltou a pedir dinheiro no ano seguinte. O delator afirma que, no episódio, a JBS fez a compra de um prédio por R$ 17 milhões para gerar pagamento de propina ao tucano.

Outro trecho da delação de Joesley acusa o senador, sua irmã, Andrea Neves, seu primo, Frederico Pacheco e Mendherson Souza Lima, ex-assessor do senador Zezé Perrella (MDB-MG) de integrar esquema de corrupção. Todos viraram réus nesse processo. O tucano é acusado de pedir propina de R$ 2 milhões a Joesley em troca de favores políticos para a JBS e de tentar atrapalhar o andamento da Jato.

Alívio pontual

Advogado de Aécio, Alberto Toron divulgou nota sobre a decisão de Gilmar. "[...] confirmou a conclusão que já havia sido alcançada pela Polícia Federal há mais de 10 meses, no sentido de que, passados mais de dois anos de investigação e realização de inúmeras diligências, nenhuma ilegalidade envolvendo o senador Aécio Neves foi encontrada", diz o comunicado.

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