Bolsonaro indica pastor e produtora de cinema cristão para a Ancine

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) indicou o pastor Edilásio Barra e a produtora de cinema cristão Verônica Brendler para ocuparem cargos na diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine). A escolha de Bolsonaro foi publicada nesta sexta-feira (21) no Diário Oficial da União.

Antes de serem nomeados, os dois indicados terão que passar por uma sabatina no Senado, que ainda não tem data prevista para acontecer.

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O pastor Edilásio, mais conhecido como "Tutuca", já ocupava o cargo de superintendente de Desenvolvimento Econômico na Ancine. Nos últimos anos, o pastor estreitou as suas relações com figuras do governo, inclusive com o próprio Bolsonaro, com quem gravou um vídeo  há três anos e foi chamado pelo então deputado de "amigo".

Ao longo da vida profissional, Edilásio percorreu caminhos na área religiosa e cultural. Em 1985, ele participou da novela Roque Santeiro, da TV Globo - produção estrelada por Regina Duarte, agora secretária de Cultura de Bolsonaro. Em 2011, ele fundou a Igreja Continental do Amor de Jesus, que não existe mais. Edilásio também grava vídeos para um canal no Youtube que possui pouco mais de 2 mil inscritos.

Em um vídeo publicado em março do ano passado ele comenta sobre a política brasileira e diz que é preciso "endireitar" o país. "Tiramos a esquerda do poder para a direita ter a oportunidade de endireitar esse país", comenta no vídeo.

A produtora e cineasta Verônica possui um currículo com passagens na TV Globo, Record e SBT. Atualmente, ela coordena a equipe de comunicação do Festival de Cinema Cristão (FICC). A página oficial do festival descreve o evento como divulgador de filmes que" fomentam os valores da família, responsabilidade social, cidadania, acessibilidade, inclusão social e digital, sustentabilidade".

Investigação de censura na Ancine

No ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil contra o ministro da Cidadania Osmar Terra pela prática de ato de improbidade administrativa. O ministério apurou que a edição da Portaria no 1.576, de 20 de agosto de 2019, que suspendeu, “pelo prazo de 180 dias, prorrogável por igual período”, um edital para seleção de projetos audiovisuais que seriam veiculados nas TVs públicas foi motivada por "discriminação contra projetos com temática relacionada a lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis – LGBTT".

O MPF também argumentou, na época, que os documentários “Sexo Reverso”, “Transversais”, “Afronte” e “Religare Queer”, foram "desmerecidos" por Bolsonaro em um vídeo publicado em agosto do ano passado.

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