Grupo Antifas e lutadores prometem manifestações distintas para domingo

O presidente Jair Bolsonaro tem pedido para que seus seguidores fiquem em casa no próximo domingo (7), dia em que vai acontecer manifestações do grupo chamado Antifas, abreviação do termo "antifascistas", que está reivindicando a luta contra o racismo, fascismo e a defesa da democracia e de torcidas organizadas. Porém, o grupo bolsonarista 300 do Brasil e professores de artes marciais, prometem ir às ruas. Os 300 prometem fazer um "treinamento intensivo de técnicas de revolução não violenta" e os lutadores pretendem fazer um ato em defesa da bandeira nacional.

Desde o último domingo (31), em que houve atos contrários ao governo Bolsonaro, o presidente vem desqualificando os manifestantes. "Os marginais estão convocando as pessoas para irem para as ruas no domingo", disse o presidente em live nesta quinta-feira (4). "Se você colocar 100 dessas pessoas aí e aplicar uma prova, não tira cinco. São uns idiotas", disse o chefe do Executivo que também afirmou que maioria dos antifascistas são drogados.

Professores e mestres de defesa pessoal, jiu-jítsu, capoeira e krav magá do Distrito Federal, convocaram todas as academias para se unirem em defesa da bandeira nacional na Catedral de Brasília, às 9h.

O local fica à 600 metros do Museu Nacional, local onde os manifestantes contrários ao governo de Jair Bolsonaro vão se encontrar no mesmo horário. Como o Congresso em Foco mostrou, torcidas organizadas e Antifas também devem participar dos atos contrários ao governo federal no mesmo local.

Local onde terão as manifestações no domingo dia 7/6 - Imagem: Google Maps

Já o grupo 300 do Brasil irá se reunir à 2,2 km dali, no estacionamento da Funarte, às 10h. Há uma semana, o grupo fez uma marcha noturna, com tochas nas mãos e máscaras brancas, semelhantes às manifestações de grupos supremacistas brancos dos Estados Unidos.

Locais onde acontecerão atos no domingo 6/6 - Imagem: Google Maps

Um cenário semelhante deve acontecer no Rio de Janeiro, onde lutadores estão convocando uma manifestação para, nas palavras deles, impedir agressões contra "pessoas de bem".

Uma mensagem de origem não identificada vem circulando pelo WhatsApp e incentivando pessoas com porte de armas a irem às ruas em Londrina, no interior do Paraná, para "prender em flagrante os desordeiros".

Temendo que o momento seja utilizado pelo presidente Bolsonaro, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) articulou uma carta assinada pela Rede, PSB, PDT, Cidadania, PSD e PT, solicitando que a população não compareça aos atos marcados para o próximo domingo. Para Randolfe, é necessário pensar em alternativas que respeitem o isolamento social, uma vez que o país já lembra a morte de mais de 30 mil brasileiros pela covid-19.

"Ademais, observando a escalada autoritária do governo federal, devemos preservar a vida e segurança dos brasileiros, não dando ao governo aquilo que ele exatamente deseja, o ambiente para atitudes arbitrárias", afirmam os partidos na carta.

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