Ato pró-democracia une torcidas, partidos e movimentos sociais em Brasília

Neste domingo (7) membros de torcidas organizadas, sindicatos, movimento negro e partidos de esquerda, promovem o ato “Unidos pela democracia contra o Racismo e o Fascismo”. A concentração está marcada para às 9h em frente à Biblioteca Nacional de Brasília e os manifestantes devem caminhar até a Praça dos Três Poderes, com dispersão prevista na rodoviária, às 12h.

Segundo Daniel Saran, um dos organizadores da marcha, o movimento tem como objetivo o enfrentamento ao racismo e o fascismo. Responsável por articular a participação de membros de torcidas de clubes de futebol, Saran deixa claro que os manifestantes não representam as organizadas, mas sim a eles próprios.

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“A Gaviões, por exemplo, não está envolvida enquanto entidade, mas nós que somos membros e, também pessoas de outras torcidas, acreditamos que é o momento de fazer uma ação contra a extrema-direita”, defende.

Membro de torcidas organizadas se manifestam em defesa da democracia em Brasília [Divulgação/Daniel Saran]
Há duas semanas, outro ato foi encabeçado pelos torcedores da capital federal, mas desta vez, diz, acredita que será maior devido ao sucesso da manifestação que ocorreu em São Paulo no último fim de semana. Outro ponto favorável, acredita Saran, é a união entre torcidas distintas.

“Foi orgânico, recebemos várias mensagens de pessoas querendo participar”, aponta. "Enquanto membro de torcida organizada estou em contato direto com outras e até a semana passada éramos rivais. Estamos com uma proposta muito clara de evitar confronto a todo custo", diz.

Para manter a ordem, Saran aponta que  há um código de conduta a ser cumprido. "A nossa organização costuma ser muito centralizada e é muito rigorosa em seguir o que é delimitado. Se foi decidido que não é para responder à provocação, o membro que não cumprir o que foi acordado vai sofrer suas consequências internamente", adverte.

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A preocupação é para que não se repitam as cenas de depredação que ocorreram em Curitiba essa semana.  "Neste ato não somos só a gente. Temos noção de que haverá outros grupos. Por mais que estejamos acostumados com ambiente de hostilidade, esses outros grupos não necessariamente estão e a gente não pode colocar eles em risco", aponta.

Em um manifesto para convocação de manifestantes, os organizadores dizem repudiar atos violentos, queima de bandeiras, depredação do patrimônio público e ressaltam que a marcha será totalmente pacifica. "Estaremos todos seguindo as recomendações de distanciamento, evitando ao máximo contato físico. O uso de máscaras será  obrigatório, além do álcool em gel."

A organização não deu uma expectativa de quantas pessoas podem comparecer ao ato.

As manifestações pró-democracia entre atletas e torcidas têm ganhando destaque nas últimas semanas.  Além das marchas em São Paulo, que reuniram membros das organizadas do Corinthians e do Palmeiras, nesta quarta-feira (3), Guga, Casagrande e outros campeões do vôlei e do futebol aderiram ao manifesto "Esporte pela Democracia".

 

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