Oposição vai pedir quebra de sigilos de Dirceu e suas empresas

PPS prepara requerimento a ser apresentado no primeiro dia de trabalhos da CPI da Petrobras na Câmara. Petista foi citado por doleiro como um dos responsáveis por receber propina em nome do partido. Ele nega qualquer envolvimento com o caso

A oposição vai pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-ministro e ex-deputado José Dirceu (PT) e das empresas das quais ele é sócio. O pedido será apresentado no primeiro dia de trabalho da CPI da Petrobras, cuja instalação foi confirmada pelo novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Dirceu foi citado pelo doleiro Alberto Youssef, em delação premiada, como um dos responsáveis por receber, em nome do PT, propina por contratos fechados com a Petrobras. Ele cumpre pena, em regime domiciliar, por condenação no processo do mensalão.

O requerimento de quebra de sigilo é preparado pelo líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR). “Se o próprio ex-ministro nega ligação ou participação nesse novo esquema de corrupção não deve temer qualquer quebra de sigilo. Seria uma chance de ele provar que, dessa vez, não é o chefe da quadrilha”, diz Bueno, em alusão ao termo utilizado na acusação do Ministério Público Federal contra o ex-ministro no processo do mensalão.

Nova tentativa

O oposicionista adiantou que também vai pedir a quebra de sigilo de todas as empresas fornecedoras da Petrobras que estão sob investigação na Operação Lava Jato. “Na CPI mista da Petrobras apresentamos esses pedidos, mas o governo e sua base impediram a aprovação. Deu no que deu: os executivos das empresas acabaram presos e a comissão, com sua ânsia de proteger poderosos, foi desmoralizada”, criticou.

Segundo o líder do PPS, o procedimento pode servir de base para processos de cassação de parlamentares envolvidos no esquema de cartel e corrupção. Como têm direito ao chamado foro privilegiado, deputados e senadores só podem ser investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda estuda quais nomes serão investigados a partir dos depoimentos e indícios coletados até agora.

Um dos principais nomes do esquema, Alberto Youssef contou ter intermediado o pagamento de R$ 27 milhões em propina para políticos entre 2005 e 2012. "O dinheiro entregue pelo declarante (Youssef) em São Paulo servia para pagamento da Camargo Corrêa e da Mitsue Toyo ao PT, sendo que as pessoas indicadas para efetivar os recebimentos à época eram João Vaccari e José Dirceu", relata a transcrição de um dos depoimentos que faz referência ao ex-ministro e ao tesoureiro do PT. Dirceu e Vaccari negam ter participado do esquema. O ex-ministro classificou como "mentirosas" as declarações do doleiro (veja a íntegra da nota de Dirceu).

A instalação da CPI da Petrobras ainda depende das indicações dos integrantes pelos partidos. Donos das duas maiores bancadas no Congresso, PT e PMDB ainda não designaram seus representantes. A expectativa é que a comissão seja instalada na semana seguinte ao Carnaval.

A Justiça Federal quebrou no mês passado o sigilo da JD Assessoria e Consultoria, empresa mantida por José Dirceu e um de seus irmãos. Mas negou a quebra de sigilo do ex-ministro, alegando que o Ministério Público não comprovou que o petista era dono da consultoria quando a empresa recebeu repasses de empreiteiras da Lava Jato.

Mais sobre a Operação Lava Jato

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!