Nos jornais: Fornecedores da Petrobras doaram R$ 1,4 bi para campanhas

Empresas contratadas pela estatal financiaram R$ 3 de cada R$ 10 usados por candidatos e comitês nas eleições de 2010 e 2012, num total de pelo R$ 1,4 bilhão. Na última disputa presidencial, PT recebeu 25% das contribuições e PSDB, 23%

O Estado de S. Paulo

Responsáveis por um terço das doações eleitorais são fornecedores da Petrobras

De cada R$ 10 doados por empresas a candidatos e comitês nas eleições de 2010 e 2012, R$ 3 vieram de fornecedores da Petrobrás. Maior companhia brasileira, a estatal está no centro da mais ampla rede de financiamento privado de campanhas eleitorais no Brasil. Detentores de contratos com a companhia petrolífera desembolsaram ao menos R$ 1,4 bilhão em contribuições às campanhas de postulantes a presidente, governador, prefeito, deputado e senador.

Isso não implica que a Petrobrás tenha direcionado as doações - a legislação proíbe que empresas que tenham participação societária do Estado financiem campanhas eleitorais. Tampouco denota ilegalidade. Mostra, porém, o potencial de alcance político e econômico da estatal e ajuda a entender os temores de parte da classe política com a instalação de uma CPI da Petrobrás.

Levantamento conjunto do Estadão Dados e da Transparência Brasil revela que 4.792 candidatos e comitês partidários receberam recursos de empresas contratadas pela Petrobrás nos últimos quatro anos. Nas eleições parlamentares e para governos de 2010, 1.778 candidatos/comitês receberam desses fornecedores. Na disputa municipal de 2012, foram 3.014 os beneficiários. Os valores doados pelos fornecedores da Petrobrás constituem uma estimativa conservadora: o levantamento levou em consideração só os contratos assinados a partir de 2010.

Contratos de serviços da estatal são ‘caixa-preta’

A Petrobrás omite dados dos contratos que assina sem licitação. Documentos obtidos pelo Estado apontam que a estatal fechou pelo menos R$ 19,3 bilhões sem processo licitatório no primeiro biênio do governo Dilma Rousseff, a maior parte ligada a serviços.

Escorada em um decreto presidencial de 1998, do governo Fernando Henrique Cardoso, a Petrobrás tem prerrogativa de contratar à margem da Lei de Licitações uma gama variada de serviços, que abrange de construção a manutenção de prédios, aluguel de equipamentos, como helicópteros, vigilância, gastos com advogados e patrocínios culturais.

A petroleira se respalda, ainda, em decisões do Supremo Tribunal Federal, que a autorizam a ficar "de fora" das compras tradicionais impostas aos órgãos públicos. A justificativa é que para uma empresa desse setor é preciso agilidade no desenvolvimento das atividades operacionais com economia.

Aécio e Campos tentam usar ajuste fiscal como trunfo

Futuros adversários na disputa por uma vaga no segundo turno da eleição presidencial contra a petista Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB) abraçaram a bandeira da ortodoxia econômica e foram buscar na equipe que criou o Plano Real os formuladores de seus programas de governo.

A três meses do começo oficial da campanha, os dois oposicionistas têm enviado sinais cada vez mais claros ao mercado financeiro de que já definiram o "núcleo duro" de suas equipes econômicas e resgatarão os pilares do processo de estabilização da moeda promovido por Fernando Henrique Cardoso como mote eleitoral.

 

Folha de S. Paulo

Financiadores pressionam políticos para evitar CPIs

Empreiteiras e outros grandes doadores de campanhas eleitorais estão pressionando deputados e senadores governistas e da oposição a desistir da criação de CPIs no Congresso para investigar os negócios da Petrobras e o cartel acusado de fraudar licitações de trens em São Paulo.

De acordo com seis parlamentares que transitam no meio empresarial e um assessor presidencial ouvidos pela Folha, os interlocutores das empresas afirmam que uma CPI pode reduzir o "ânimo" dos empresários para financiar candidaturas na campanha eleitoral deste ano.

Os primeiros contatos começaram há duas semanas, depois que a oposição conseguiu as assinaturas para criação de uma CPI para investigar a Petrobras no Senado.

Doadores foram estimulados pelo próprio governo a entrar em campo para convencer senadores a retirar suas assinaturas do primeiro pedido de criação da CPI, apresentado pelo PSDB. A tentativa se revelou frustrada.

Houve conversas com parlamentares governistas e da oposição. Um deles, que pediu para não ser identificado, relatou que os interlocutores das empresas pediram "bom senso" aos congressistas, lembrando que sempre há o risco de uma CPI sair de controle.

Lula cobra de Dilma atenção ao Minha Casa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou mais atenção da presidente Dilma Rousseff aos problemas no pagamento às empresas parceiras do Minha Casa, Minha Vida, e conversou com a sucessora, no início do ano, sobre os prejuízos eleitorais que qualquer adversidade no programa pode trazer a ela.

Segundo a Folha apurou, Lula ouviu desde dezembro relatos a respeito do atraso no repasse a pequenas e médias construtoras, principalmente no Nordeste, responsáveis por empreendimentos da faixa 1 do programa, entregues a famílias com renda mensal de até R$ 1.600.

O ex-presidente pediu a Dilma que fique atenta a essa fatia do projeto, direcionada a um eleitorado importante para o PT e que, neste ano, será disputado também pelo ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Para 65% dos eleitores, inflação vai aumentar

Pesquisa Datafolha mostra que a avaliação do governo Dilma Rousseff caiu cinco pontos desde o fim de fevereiro e praticamente se igualou ao marcante patamar de junho de 2013, o pior de seu mandato, apurado imediatamente após a grande explosão de protestos de rua pelo país.

Hoje não há enormes passeatas exigindo redução de tarifas no transporte, fim da violência policial e "padrão Fifa" nos serviços de saúde e educação. Mas 25% afirmam que a gestão Dilma é ruim ou péssima, o mesmo índice de junho do ano passado.

Já a avaliação positiva agora é de 36%, apenas seis pontos melhor que a apurada na fase do auge dos protestos.

Desta vez, o declínio da aprovação de Dilma parece ter mais relação com a forte deterioração das expectativas relacionados à economia.

O dado que mais chama a atenção é o da inflação. Para 65%, ela deverá aumentar no próximo período. Um novo recorde. Com oscilações, essa taxa vem subindo desde dezembro de 2012, quando 44% tinham essa opinião.

Em comparação com a pesquisa de fevereiro, o pessimismo econômico também cresceu em relação ao poder de compra dos salários, à situação econômica geral do país e em relação ao emprego, o que sempre foi considerado o principal esteio da popularidade dilmista.

Embora mais de 50% da população afirme não ter medo de perder o emprego, para 45% o desemprego vai piorar, taxa recorde de pessimismo nesse assunto desde a posse da petista, em janeiro de 2011.

Apesar de tudo, o tema economia ainda está longe de ser visto como o principal problema do Brasil na atualidade.

Argentinos traçam estratégia da oposição

Dois personagens centrais para a construção da propaganda contra a presidente Dilma Rousseff nas eleições deste ano foram apresentados ao universo político brasileiro pelos homens que definiram a estratégia de comunicação do PT desde sua chegada ao poder, em 2002.

Diego Brandy, 51 anos, é quem analisa pesquisas, antecipa tendências e aconselha o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato do PSB. Guillermo Raffo, 49, é a principal aposta da equipe de criação da campanha do senador Aécio Neves (MG), nome do PSDB para o Planalto.

Ambos são argentinos e foram "importados" por Duda Mendonça e João Santana para o Brasil. Eles trabalharam em uma eleição com os marqueteiros pela primeira vez fora do país, em 1999. Na época, Duda era sócio de Santana. Anos depois, os dois romperam. Hoje, Santana comanda sozinho a campanha de Dilma à reeleição e vai enfrentar os "hermanos" que descobriu com o ex-sócio.

Em PE, apoio a Campos une velhas raposas da política

Na última semana como governador de Pernambuco, o pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, colecionou abraços e juras de apoio de representantes da "velha política" que promete combater no Planalto.

Ao se despedir do cargo na sexta-feira, ele discursou em um palanque acompanhado pelo ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) e pelo deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE). Ambos indicaram parentes para seu governo e agora vão contrariar as cúpulas partidárias para apoiá-lo na corrida presidencial.

"Eduardo é um político exemplar, que honra todos os compromissos assumidos. Trabalharei incansavelmente, com prefeitos que me apoiam, para ajudá-lo. Não medirei esforços para que ele seja eleito presidente", disse Inocêncio à Folha.

O deputado exerce o décimo mandato seguido em Brasília e já foi condenado por manter trabalhadores em suas fazendas em regime análogo à escravidão. No primeiro mandato de Campos, ele indicou um primo, Sebastião Oliveira, para chefiar a Secretaria de Transportes.

Ex-presidente da Câmara, Severino esteve com o presidenciável em ao menos três compromissos na semana. Ele prometeu ignorar a provável aliança do PP com a presidente Dilma Rousseff para apoiar o conterrâneo.

Aécio diz que é 'vergonha' Dilma tentar impedir CPI

Em sua primeira incursão pela região do ABC Paulista, o senador Aécio Neves (PSDB) voltou a atacar a gestão da presidente Dilma Rousseff (PT) e o caso da refinaria de Pasadena.

Segundo o presidenciável, "é uma vergonha que o governo tente impedir" a instalação da CPI que a oposição está trabalhando para montar.

Aécio afirmou ainda que irá ao Supremo Tribunal Federal na terça-feira contra o que chamou de "violência sem limite ao Parlamento" e aos direitos das minorias.

O senador disse também que não se negará a assinar pedidos de investigação sobre outras áreas, desde que a CPI da Petrobras saia do papel e se torne realidade.

Comissão vai mapear centros de tortura usados pela ditadura

A Comissão Nacional da Verdade vai apresentar amanhã, em audiência em São Paulo, um relatório parcial com o mapeamento dos centros clandestinos usados pelas Forças Armadas na ditadura (1964-85) para torturar e matar presos políticos.

O levantamento, realizado pela historiadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Heloísa Starling, que presta assessoria ao grupo, vai elencar alguns desses centros clandestinos e os nomes dos militantes mortos nesses locais.

DEM quer ouvir ministro da Saúde sobre suspeita de fraude

O DEM vai apresentar amanhã um requerimento na Câmara dos Deputados para ouvir o ministro da Saúde, Arthur Chioro, sobre o contrato de R$ 34 milhões de locação de veículos cuja licitação tem suspeita de fraude, segundo a CGU (Controladoria-Geral da União). O caso foi revelado ontem pela Folha.

Segundo o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), o requerimento precisa ser aprovado por membros da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. "Queremos esclarecimentos do ministro da Saúde sobre o contrato", disse ele, que estuda ouvir o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage.

 

O Globo

Investigação militar deixa seis cidades de fora

Dez capitais do país tiveram unidades do DOI-Codi, mas só quatro delas terão sindicância das Forças Armadas: Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Belo Horizonte. O início da investigação de crimes cometidos por militares durante a ditadura, anunciado nesta semana pelas Forças Armadas, atende a pedido feito pela Comissão Nacional da Verdade.

Não serão apurados, no entanto, casos que aconteceram em Brasília, Curitiba, Salvador, Belém, Fortaleza e Porto Alegre, aponta a historiadora Mariana Joffily, autora do livro “No centro da engrenagem: os interrogatórios na Operação Bandeirante e no DOI de São Paulo (1969-1975)”.

Uma sindicância em outras cidades poderia ajudar a esclarecer casos como o de Edgard de Aquino Duarte, cujo corpo não foi encontrado até hoje. Em 1964, Duarte era fuzileiro naval, mas se opôs ao golpe que depôs o presidente João Goulart, o que fez com que fosse perseguido. Antes de ser visto pela última vez em São Paulo, Duarte passou pelo DOI-Codi de Brasília, segundo dados da Comissão da Verdade.

Investigação das Forças Armadas excluiu 11 centros de tortura

O Forte do Barbalho, em Salvador, foi o primeiro destino de Nilda Carvalho Cunha, militante do MR-8 presa em 20 de agosto de 1971, no cerco à guerrilheira Iara Iavelberg, mulher de Carlos Lamarca. Submetida a torturas físicas e psicológicas que continuariam na Base Aérea de Salvador, Nilda, de 17 anos, foi solta dois meses depois, mas não resistiu e morreu no leito de um sanatório médico. É o caso mais trágico das histórias de violência passadas no forte baiano.

Embora considerado o maior centro de detenção e tortura de presos políticos da Bahia nas décadas de 60 e 70, o Forte do Barbalho ficou fora das sindicâncias abertas na semana passada, pelas Forças Armadas, para investigar os crimes do regime.

De uma lista de 17 unidades civis e militares onde houve tortura e assassinatos, levantada por pesquisadores da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, 11 não fazem parte das sindicâncias.

Reestruturação da Embrapa dá mais poder a áreas controladas por técnicos ligados ao PT

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sempre foi considerada uma ilha de excelência técnica, tanto na condução de pesquisas decisivas para o setor quanto na escolha dos profissionais de carreira que ocupam os cargos de chefia da estatal. O atual momento do órgão vem redesenhando essa impressão. A empresa vive uma fase de aparelhamento e apadrinhamento partidário num de seus setores mais estratégicos, afrouxamento das regras para a escolha dos diretores executivos — com a predominância do critério de indicação política — desmantelamento da capacitação internacional, e forte disputa interna. Além disso, uma investigação em curso apura supostas irregularidades cometidas por sete servidores na criação da Embrapa Internacional, com sede nos EUA.

Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que já está definida a extinção da Embrapa Estudos e Capacitação, também chamada de Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat), um projeto pessoal do então presidente Lula, inaugurado em maio de 2010. Lula pediu a criação da unidade para capacitar profissionais de outros países que atuam no campo da agropecuária, principalmente nações da África e da América Latina. Um bloco de quatro andares foi construído ao lado da sede da Embrapa em Brasília — os dois prédios estão conectados por um corredor — e os gastos somaram R$ 9,4 milhões.

Candidato do governo ao TCU é suspeito de lavagem de corrupção

Prestes a ser indicado para o cargo vitalício de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), apadrinhado pelo governo Dilma Rousseff, o senador Gim Argello (PTB-DF) responde a seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, peculato (desvio de dinheiro público) e crime contra a lei de licitações.

A indicação para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Valmir Campelo, na última quinta-feira, cabe ao Senado e tem que ser aprovada por maioria simples, em votação secreta, pelos plenários da Casa e da Câmara.

 

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