“Não há amparo para ruptura institucional”, diz General Peternelli

Os defensores da intervenção militar e do fechamento do Congresso não contarão com o apoio das Forças Armadas, afirma o deputado General Peternelli (PSL-SP). Peternelli se formou em 1976 na Academia Militar das Agulhas Negras, no Rio – um ano antes do presidente Jair Bolsonaro e um depois do vice, Hamilton Mourão. O general disse ao Congresso em Foco que não há amparo para ruptura institucional e que as Forças Armadas estão a serviço do Estado brasileiro, e não de governos.

“Quem atua nas Forças Armadas visualiza que a atuação dele é em favor do Estado brasileiro, e não do governo. Não vejo atuação das Forças Armadas que não seja cumprindo suas obrigações legais e constitucionais”, afirmou. Para ele, não há espaço para o fechamento do Congresso e outras instituições democráticas. “Acredito que não tem amparo formal para essa solicitação. Se não tem, não vejo nenhuma possibilidade de atuação das Forças nesse aspecto”, completou o general, ressaltando que não fala em nome da instituição.

Deputado General Peternelli

Com 44 anos de experiência no Exército, o general diz que a posição atual das Forças Armadas é a mesma já manifestada anteriormente por outros comandantes – a de defender as instituições democráticas. “As Forças atuam institucionalmente de acordo com preceitos da Constituição Federal. Elas já emitiram seu posicionamento e ele não mudou”, declarou.

Defensor do período militar (1964-1985), Bolsonaro descumpriu as orientações do Ministério da Saúde e do governo do Distrito Federal ao participar de um ato em defesa do seu governo, no último dia 15, em que vários manifestantes erguiam faixas pedindo o fechamento do Congresso e intervenção militar. O presidente estava sob monitoramento por ter tido contato, durante voo dos EUA para o Brasil, com um secretário infectado pelo covid-19.

> Peternelli pede obediência às orientações do Ministério da Saúde

Em guerra com os governadores, que têm adotado medidas restritivas para conter o avanço do vírus, Bolsonaro afirmou hoje que o país poderia “sair da normalidade democrática” se a população não deixasse o confinamento e voltasse às ruas. Peternelli diz não acreditar que Bolsonaro tente um golpe. “Não vejo essa possibilidade. Ele sempre expressa o que pensa”, declarou.

Peternelli também defendeu a posição do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a gravidade da crise do coronavírus. Para o deputado, o ideal é que o isolamento social continue por determinado período e, então, possa ser reavaliado. O deputado gravou um vídeo em que fala do assunto para o Congresso em Foco. “Esses 10, 15 dias são um termômetro para que se possa olhar a evolução da doença. É um período crítico”, avaliou.

O comandante do Exército, general  Edson Leal Pujol, distribuiu um vídeo aos militares brasileiros sob seu comando. Na mensagem, publicada na noite de terça-feira (24), pouco antes do pronunciamento de Jair Bolsonaro, Pujol disse aos seus subordinados que o coronavírus "talvez seja a missão mais importante" da atual geração.

Veja o vídeo de Pujol e abaixo o de Peternelli sobre a crise do coronavírus:

> General Peternelli e Clube Militar desaprovam ato convocado para o dia 31

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