Maia cobra resposta de Salles, que volta a atacar Greenpeace sobre óleo no Nordeste

Em Londres para uma série de compromissos oficiais, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou do Ministério do Meio Ambiente um posicionamento oficial sobre a declaração do ministro Ricardo Salles que sugere que um navio do Greenpeace vazou óleo no litoral do Nordeste. O pedido de Maia teve quase três mil "likes" no Twitter, mas recebeu, como resposta de Salles, mais uma acusação contra a organização não governamental.

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"Presidente, o navio do Greenpeace confirma que navegou pela costa do Brasil na época do aparecimento do óleo venezuelano, e assim como seus membros em terra, não se prontificou a ajudar", escreveu Salles em resposta a Maia. Foi a mesma resposta oficial que o Ministério do Meio Ambiente enviou ao Congresso em Foco. Veja:

"Estamos esperando uma posição oficial do Ministério do Meio Ambiente", disse um pouco antes o presidente da Câmara, que, desta forma, voltou a criticar o governo de Jair Bolsonaro. Maia ainda compartilhou a matéria do Congresso em Foco que mostra a declaração do ministro Ricardo Salles em relação ao desastre ambiental: "Tem umas coincidências na vida né... Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano...", escreveu Salles no Twitter. Veja:

Deputados da oposição também criticaram a fala do ministro. Sâmia Bonfim (Psol-SP), por exemplo, chamou o ministro de leviano e patético. "Gesto de desespero de quem sabe não ter mais nenhuma condição de seguir no cargo. Renuncie, ministro. O Brasil será melhor sem o senhor", afirmou a deputada. "Cada vez mais assistimos crianças, por todo mundo, se envolvendo com o tema ambiental. Natural, o presente e futuro estão ameaçados. Aqui, temos um ministro que não consegue se comportar com a mínima maturidade dessas crianças. Lamentável", acrescentou Marcelo Freixo (Psol-RJ).

Procurado, o Greenpeace rebateu a acusação de Salles dizendo que o seu navio passou perto da costa brasileira para um motivo oposto ao sugerido pelo ministro: rastrear possíveis ameaças ao meio ambiente. "O nosso navio Esperanza faz parte de uma campanha internacional chamada “Proteja os Oceanos”, que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. Ele passou pela Guiana Francesa, entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do recife conhecido como Corais da Amazônia, com o propósito de lutar pela proteção dos oceanos e contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha", informou. O Greenpeace promete ir à Justiça contra a declaração de Salles.

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