Lula admite dificuldade se Dilma for afastada, mas PT promete ofensiva

Segundo o ex-presidente, Dilma não deve voltar ao Planalto se Temer assumir por 180 dias. Senadores do partido dizem que vão reagir

O ex-presidente Lula, principal articulador do governo Dilma contra o impeachment, admitiu ontem (segunda, 18) que a presidente dificilmente voltará ao Palácio do Planalto caso o Senado aprove a abertura de processo de impeachment na Casa e afaste Dilma por 180 dias. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a avaliação foi feita durante reunião do ex-presidente com o presidente do PT, Rui Falcão, e representantes dos movimentos de esquerda.

A preocupação dos governistas se dá porque o grupo pró-impeachment precisa apenas de maioria simples (41 votos) na Comissão Especial do Senado para dar andamento ao processo e afastar a presidente Dilma por 180 dias. Em sua avaliação, Lula prevê que provavelmente Dilma não reassuma a presidência depois de ser afastada. Segundo o ex-presidente, depois que Michel Temer chegar ao Planalto será difícil tirá-lo, já que o vice teria o apoio de grande parte do Congresso e, principalmente, do PMDB.

Ofensiva

Por outro lado, o PT prepara ofensiva para o processo no Senado. A ideia é reverter a decisão da Câmara. A estratégia do governo, inicialmente, é ter um aliado como relator ou presidente da comissão. Como segunda maior bancada do Senado, o partido diz não abrir mão da prerrogativa de indicar um dos dois coordenadores da comissão.

A avaliação é que o nome não deve ser do próprio partido para que questionamentos não sejam feitos, mas o que os petistas garantem é que não abrirão mão de indicar alguém que considerem isento no processo. “Vamos lançar mão do regimento para defender essa posição”, garantiu Lindbergh Farias (PT-RJ), já que o regimento diz que cabe às duas maiores bancadas da Casa - no caso PMDB e PT- indicar a presidência e a relatoria da comissão.

Estratégias

Do ponto de vista político, além de cobrar que o regimento do Senado seja respeitado, os governistas também pretendem reforçar os laços com movimentos sociais. Outra estratégia é começar imediatamente a busca de votos de senadores.

Alessandro Dantas/PT Senado
Alessandro Dantas/PT Senado
“Alguns partidos fecharam questão e provavelmente devem tentar aplicar essa norma aqui”, disse Humberto Costa. Apesar disso, o senador avalia que agora o cenário é diferente da Câmara. “O Senado é uma casa diferente com menos parlamentares. Aquela passionalidade que existe na Câmara, aqui não existe, as discussões são mais racionais, acredito que podemos ter um resultado diferente”, acrescentou.

Temer

O PT também deve adotar uma ofensiva muito forte para desqualificar o vice- presidente da República, Michel Temer, visto como um dos grandes articuladores da derrota da presidente domingo (17). “As pesquisas e a baixa popularidade do Temer vão mostrar que ele não tem condições de ficar no governo. Eu chego a ir além. Na hipótese desse golpe se consumar e eles vencerem aqui no Senado, Temer não se sustenta três meses, as ruas vão pedir a cabeça dele, ninguém vai aceitar isso”, afirmou Lindbergh.

O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), foi na mesma linha. “Não há hipótese de um eventual governo de Michel Temer e Eduardo Cunha ter qualquer legitimidade perante o povo brasileiro”, disse.

Jorge reconheceu erros da presidente da República. “Ficou muito evidente ontem que nós vimos uma ação que somou um descontentamento da opinião pública, que é real, com o governo, mas uma sede de vingança e de intolerância de uma parcela da oposição que levou àquela votação que talvez tenha surpreendido os proponentes do impeachment que esperavam uma vitória acachapante - e a vitória teve apenas 25 votos além dos necessários”.

Em nota, o líder do PT no Senado, Paulo Rocha, (PT-PA) também reforça os argumentos contra Temer e diz que perdeu-se uma batalha, mas não a guerra. Rocha diz que o PT manterá vigília permanente contra esta e contra “todas as tentativas de instabilidade institucional patrocinadas por setores inconformados com a derrota nas eleições de 2014. Michel Temer e Eduardo Cunha não contam com apoio popular, nem têm condições morais para presidir o Brasil.”

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