Líderes da esquerda não vão ao Foro de São Paulo, alvo de CPI do PSL

Alvo do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, o XXV Encontro do Foro de São Paulo começa nesta quinta-feira (25) na Venezuela. A reunião do fórum, que reúne os principais partidos de esquerda da América Latina e do Caribe, porém, não contará com a presença das principais lideranças da esquerda brasileira. A presidente nacional do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), por exemplo, não vai e acredita que Bolsonaro tem criticado o Foro de São Paulo para desviar a atenção de assuntos do governo.

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"O Foro de São Paulo é alvo de críticas da direita e da extrema direita para atacar a esquerda e o PT. O Bolsonaro e sua turma fazem disso um mantra. E na maioria das vezes eles fazem isso para desviar a atenção de assuntos que lhes afetam e que eles têm de resolver", declarou Gleisi Hoffmann, afirmando que entre os assuntos dos quais o governo tenta desviar as atenções estão as polêmicas ligadas ao ministro Sergio Moro, a apreensão de drogas em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Gleisi, que no ano passado foi ao encontro do Foro de São Paulo em Cuba junto com a ex-presidente Dilma Rousseff mas desta vez não vai à Venezuela, comentou o assunto em vídeo publicado no Youtube nesta terça-feira (23), um dia depois de Jair Bolsonaro usar o Twitter para atacar o movimento. O presidente disse que o objetivo dos partidos de esquerda na Venezuela era discutir um plano totalitário para a América Latina:

O Foro de São Paulo também foi criticado pelo guru da família Bolsonaro, o escritor Olavo de Carvalho, que pediu até para que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recusasse o convite do pai de ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos para ficar no Brasil e conduzir investigações sobre o Foro de São Paulo. Isso porque, na Câmara, os deputados do PSL estão colhendo assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra as atividades do fórum. A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), por exemplo, falou sobre o assunto nesta quarta-feira. No Twitter, ela questionou sobre a origem do dinheiro gasto para a organização do encontro que começa nesta quinta e segue até domingo (28) em Caracas:

Diante de tudo isso, Gleisi Hoffmann decidiu explicar as atividades do Foro de São Paulo no YouTube. Ela contou que o movimento surgiu em 1990 em uma conversa entre Fidel Castro e Lula com o objetivo de refletir sobre a crise do socialismo e o crescimento do neoliberalismo na América Latina e ganhou sua primeira reunião foi realizada em São Paulo. Hoje, o foro conta com mais 120 partidos de 25 países, mas organizações africanas, orientais, europeias e até americanas também são esperadas na Venezuela. Por isso, o XXV encontro do Foro de São Paulo deve reunir mais de 800 pessoas de 150 delegações.

Entre esses convidados, porém, não estão as lideranças dos partidos da esquerda brasileira. Como Gleisi, a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos (PE), também não vai à Venezuela. O PT vai enviar ao encontro a secretária de Relações Internacionais, Mônica Valente, e a secretária de Mulheres, Anne Caroline. Já do PCdoB vão o vice-presidente e secretário de relações internacionais, Walter Sorrentino, e mais dois membros: Ana Maria Prestes e Wevergton Brito. PDT e Psol, por sua vez, disseram que não foram nem convidados e, por isso, não vão enviar representantes para a Venezuela.

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Mesmo assim, o vice-presidente do PCdoB afirmou que a "extrema-direita neocolonial brasileira tem realmente com que se preocupar". Em artigo publicado na internet, Sorrentino afirma que a resistência ao governo vai continuar. "Não aceitaremos o Brasil e a América Latina reduzidos mais uma vez a quintal dos interesses políticos, militares e comerciais da potência hegemônica norte-americana, sob a Doutrina Monroe. Não aceitamos nada menos que um Brasil livre e soberano, a serviço do povo brasileiro", afirmou Sorrentino, para quem, o "governo brasileiro se submete e bate continência à bandeira norte-americana".

Gleisi confirmou que no fórum estão previstos debates "sobre o avanço do neoliberalismo e do imperialismo no mundo e na América Latina" - avanço que, para a presidente do PT, traz consequências "trágicas como aumento da pobreza, ameaças da democracia e da paz, tentativas de ingerência econômica, política, social e até mesmo militar na região".

Nas diretrizes que o PT vai levar ao Foro de São Paulo, porém, não há referências diretas ao Governo Bolsonaro. São elas: paz na Colômbia; paz na Venezuela; fim do bloqueio econômico a Cuba; apoio às candidaturas que representam os campos progressista e de esquerda nas eleições presidenciais de outubro deste ano na América do Sul: Alberto Fernández, na Argentina; Evo Morales, na Bolívia; e Daniel Matinez, da Frente Ampla, no Uruguai; defesa da democracia na região e luta contra a perseguição política e judicial das lideranças políticas e sociais da Região, o que leva o partido a sua sexta diretriz: a liberdade de Lula.

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