Justiça envia dados de Valdemar à Câmara

Deputado, condenado no mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, aparece em grampos da Polícia Federal conversando com um dos indiciados

A Câmara recebeu ontem (29) as informações relativas à participação do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) na Operação Porto Seguro. No início da semana, veio à tona trechos de grampos realizados pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, que indicam uma estreita relação do parlamentar com um dos chefes da quadrilha, o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Rodrigues Vieira.

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Os documentos foram enviados pela Justiça Federal à Câmara. O presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), confirmou a informação nesta quinta-feira (29), antes da posse de Teori Zavascki como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). "São de 30 a 40 páginas que transcrevem parte do inquérito da Polícia Federal”, disse o petista. Segundo ele, "não são informações novas", mas que estão sob análise da sua assessoria.

A Justiça Federal, que autorizou a operação na semana passada, também enviou as informações ao STF. Como Valdemar é deputado federal, possui prerrogativa de foro. Para uma investigação ser aberta contra ele, precisa de autorização da mais alta corte do país, com um pedido realizado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A Operação Porto Seguro mostrou 1.169 ligações de Paulo Rodrigues Vieira para o Partido da República.

Valdemar: “Paulo Vieira me ajudou demais”

Realizada na sexta-feira (23), a Operação Porto Seguro teve o objetivo de desarticular uma organização criminosa infiltrada em sete órgãos federais para a obtenção de pareceres técnicos fraudulentos em benefício de interesses privados. Seis pessoas foram presas. Entre elas, Paulo Rodrigues Vieira e seu irmão, Rubens Carlos Vieira, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Número 2 da AGU e chefe de gabinete de Dilma são indiciados

A operação teve resposta da presidenta Dilma Rousseff no sábado (24). Ela mandou exonerar a então chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, e o advogado-geral da União adjunto, José Weber Holanda Alves. Também determinou a abertura de sindicância em todos os órgãos da administração pública citados na investigação.

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