Junta médica da Câmara rejeita invalidez para Genoino

Cardiologistas da Casa entenderam que o deputado afastado não sofre de cardiopatia grave, motivo usado pela defesa para apresentar o pedido de aposentadoria. Em 90 dias ele deve ser reavaliado em 90 dias

A junta médica da Câmara no processo de aposentadoria por invalidez do deputado afastado José Genoino (PT-SP) rejeitou preliminarmente nesta quarta-feira (27) o pedido do petista. De acordo com o grupo, formado por quatro cardiologistas do corpo de funcionários da Casa, ele não é paciente de "cardiopatia grave", argumento usado pela sua defesa no requerimento apresentado em setembro.

"O paciente José Genoino não é portador de cadiopatia grave. Ele deverá ser mantido em licença por mais 90 dias até nova avaliação", afirmou o diretor da Coordenação Médica (Comed) da Câmara, Jezreel Avelino da Silva. Ele participou de uma coletiva na tarde de hoje junto com o diretor-geral da Casa, Sérgio Sampaio, e os outros dois profissionais que participaram da junta médica, Luciano Vacanti e Gérson Costa Rodrigues Filho.

Ontem (26), a junta médica do Hospital Universitário de Brasília (UnB), criada para analisar o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Genoino, teve a mesma conclusão. Para os cinco profissionais, ele é portador de cardiopatia “que não se caracteriza como grave". Para os médicos, no laudo entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do mensalão, Joaquim Barbosa, o deputado afastado não precisa de tratamento domiciliar.

De acordo com Sérgio Sampaio, participaram da junta quatro profissionais da Câmara, todos cardiologistas. Eles fizeram um exame físico no deputado afastado na segunda-feira (25) e analisaram os exames realizados pelos médicos do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF). Outro exame foi realizado em setembro. Para os médicos, houve evolução do quadro dele em comparação à época.

No fim de julho, Genoino sofreu uma cirurgia de emergência para reparar o rompimento de uma artéria do coração. Segundo Vacanti, o índice de sucesso desses procedimentos é alto quando realizado com rapidez, normalmente resultando em uma melhora considerável do paciente. No entanto, os médicos detectaram também um aumento considerável na pressão arterial dele. "Isso se deve ao stress que ele foi submetido nos últimos tempos", disse Vacanti.

Apesar de não conceder a aposentadoria por invalidez, os médicos concederam mais 90 dias de licença médica para Genoino. No fim dos três meses, a ideia é fazer um novo exame para comparar a situação dele. Os profissionais ressaltam que um processo similar pode levar até dois anos "para não aposentar alguém que ainda tem condições de trabalhar".

Genoino está desde segunda-feira (25) em prisão domiciliar. Antes, passou uma semana no Centro de Internamento e Reeducação (CIR) e dois dias na Penitenciária do Distrito Federal 1 (PDF 1). Ele foi condenado pelo STF a seis anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha. No entanto, por ter apresentado um embargo infringente, cumpre inicialmente quatro anos e oito meses.

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