Deputado do PT classifica Movimento Brasil Livre de golpista

CPI dos Crimes Cibernéticos chamou o coordenador nacional do MBL, Rubens Alberto Nunes, para depôr. Jean Wyllys (Psol-RJ), autor do convite a Nunes, questionou o líder do grupo sobre mensagens com teor racista e diz ter sido caluniado

O deputado Odorico Monteiro (PT-CE) disse, em reunião da CPI dos Crimes Cibernéticos encerrada há pouco, que o Movimento Brasil Livre (MBL) é uma iniciativa golpista, centrada no ódio. “Vocês produzem o tempo inteiro uma tensão para desconstruir o processo democrático”, declarou o parlamentar ao coordenador nacional do MBL, Rubens Alberto Nunes. Monteiro também criticou a “intolerância” do grupo. “Vocês estão na contramão dos valores da história”, completou.

Nunes rebateu e questionou o deputado se o PT foi golpista no impeachment de Fernando Collor e quando defendeu o afastamento de Fernando Henrique Cardoso. “Não somos golpistas, golpismo é quem está envolvido em corrupção”, afirmou o coordenador.

O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), autor do convite para que Nunes comparecesse à CPI, criticou vídeo postado pelo MBL que dizia que “os negros estão roubando as vagas das universidades federais” e questionou o coordenador se ele concordava com tal afirmação. Nunes disse que não apoia tal manifestação, mas se mantém contrário às cotas. “A cor de pele não faz o mérito para ninguém.”

Wyllys também afirmou que foi caluniado por membros do MBL. Segundo o parlamentar, o movimento fez postagens em vídeos que diziam que Wyllys afirmava que “cristãos eram nojentos” ou que Wyllys “teria tramado a morte de um músico que o criticava”.

Rubens Nunes respondeu que os vídeos citados pelo deputado não foram feitos pelo MBL e que o movimento não endossa tais afirmações.

Partidarização

Nunes criticou a partidarização da CPI e disse que o MBL não pode ser vítima dessa disputa ideológica. “A CPI tem de procurar estelionatários, pedófilos, criminosos, traficantes e não calar movimento social. Nosso movimento luta pela liberdade”, argumentou.

Jean Wyllys cobrou ainda o posicionamento do MBL em relação às denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Eduardo Cunha deve ser investigado, mas ele ainda é o presidente da Casa e é quem acata o pedido de impeachment”, respondeu Nunes.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) cobrou dos parlamentares do colegiado que se manifestem com relação ao ato do deputado Laerte Bessa (PR-DF), que, durante o debate de hoje, jogou um copo d’água na cara de um participante que o acusou de defender Eduardo Cunha. “Hoje é um copo d'água. Amanhã vai ser um tiro?”, criticou a deputada.

 

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