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Cunha: aliados preparam recursos para tentar adiar a votação

Cassação do ex-presidente da Câmara está marcada para a próxima segunda-feira (12). "Tropa de choque" do peemedebista trabalha para realizar o julgamento apenas depois das eleições municipais

Aliados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) preparam uma série de questões de ordem e recursos para tentar adiar a votação da cassação do ex-presidente da Câmara, marcada para segunda-feira (12). Adiar o julgamento é favorável para Cunha porque, se ele for julgado após as eleições municipais, parlamentares podem votar abertamente contra a cassação sem prejuízos eleitorais em suas bases.

O plano dos aliados é apresentar, antes do início da votação, uma questão de ordem pedindo que o plenário vote um projeto de resolução, e não o parecer do Conselho de Ética a favor da cassação - como é feito normalmente. Caso aprovado, o projeto de resolução, diferentemente do parecer, admite emendas, e os aliados vão propor uma pena mais branda do que a perda de mandato do peemedebista.

Segundo Carlos Marun (PMDB-MS), fiel aliado de Cunha, o Regimento Interno da Câmara prevê que a votação da cassação use um projeto de resolução, baseado na decisão do Conselho de Ética, e não o parecer. A resolução, de acordo com Marun, seria elaborada pelo colegiado ou pela Presidência da Casa.

Outro aliado de Cunha, João Carlos Bacelar (PTB-BA) vai propor uma pena mais branda, como a suspensão do mandato de Cunha por seis meses. Como Cunha já está afastado desde 5 de maio, uma vez aceita a questão de ordem de Bacelar o peemedebista poderá voltar aos trabalhos como deputado federal.

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, defende que o plenário vote o parecer do relator Marcos Rogério (DEM-RO), e não o projeto de resolução proposto pelos aliados de Cunha. Caso rejeite a questão de ordem, a tropa de choque do ex-presidente irá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que pode fazer com que a votação fique para depois de 12 de setembro.

Aos líderes, Maia tem dito que pretende submeter ao plenário as questões mais polêmicas apresentadas pelos parlamentares. Caso o presidente da Casa cumpra o acordo, a votação final pode ficar para terça-feira (13). Segundo o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), "cada caso é um caso", mas a pauta de Eduardo Cunha é "polêmica" e exige cuidado por parte dos parlamentares. Também aliado de Cunha, Rosso defende que o plenário decida sobre os recursos apresentados pelos deputados - o que pode acarretar no fatiamento do processo - assim como aconteceu com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Corre por fora, ainda, uma articulação de Eduardo Cunha para esvaziar a sessão. Apesar do regimento exigir quórum de 257 deputados para abrir a sessão, Maia já adiantou que só haverá votação caso haja pelo menos 400 deputados. Rosso, porém, não crê que faltará quórum.

"Os parlamentares estão avisados sobre a sessão há mais de 30 dias. Não teremos problema com quórum", prevê.

Presença

O processo de Cunha na Câmara é o mais longo da história da Casa. Para que o Plenário aprove a recomendação do Conselho de Ética de cassar o mandato do deputado afastado, é necessário o apoio de ao menos 257 dos 513 parlamentares. Tarefa que se torna mais difícil com o eventual esvaziamento da sessão.

Por isso, o Congresso em Foco lançou na segunda-feira (5) uma consulta a todos os 513 deputados para confirmar a sua presença na sessão marcada para meio-dia do próximo dia 12. Acompanhe a resposta de cada parlamentar.

Bate-boca

Nesta terça-feira (6), enquanto Marun passava pelo Salão Verde da Câmara, estudantes de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) chamaram o parlamentar de "golpista" e entoaram gritos de "fora, Cunha". Marun, por sua vez, respondeu gritando aos manifestantes: "Golpista são vocês que roubaram a Petrobras. Bando de ladrão". Veja o vídeo do bate-boca:

Veja o vídeo:

 

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