Ex-líder da Ku Klux Klan declara simpatia por Bolsonaro: “Ele soa como nós”

Ex-líder da Ku Klux Klan, grupo racista que defende a supremacia branca nos Estados Unidos, o político e historiador norte-americano David Duke elogiou o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante seu programa de rádio nessa segunda-feira (15), informa a BBC. "Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista", disse Duke.

"Ele é totalmente um descendente europeu. Ele se parece com qualquer homem branco nos EUA, em Portugal, Espanha ou Alemanha e França. E ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro", afirmou.

Segundo a BBC, a única objeção feita pelo ex-líder da Ku Klux Klan a Bolsonaro foi a proximidade do deputado brasileiro com o Estado de Israel. Bolsonaro já declarou que, se eleito, vai transferir a sede da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Além disso, tem apoio declarado de algumas associações de representação judaica no país.

Para Duke, Bolsonaro é um fenômeno nacionalista global e repete a “estratégia” do presidente norte-americano, Donald Trump, ao manter proximidade com judeus. "Ele vai fazer coisas a favor de Israel, e acredito que ele esteja tentando adotar a mesma estratégia que Trump: acho que Trump sabe que o poder judaico está levando a América ao desastre, levando a Europa e o mundo ao desastre. Então, o que ele está tentando fazer é ser positivo em relação aos judeus nacionalistas em Israel como uma maneira de obter apoio", disse o norte-americano, conhecido por negar o holocausto, o massacre dos judeus durante a segunda guerra mundial.

Em sua conta no Twitter, Bolsonaro disse que recusa apoio de "grupos supremacistas" e disse que a esquerda agora segregar a sociedade.

"Recuso qualquer tipo de apoio vindo de grupos supremacistas. Sugiro que, por coerência, apoiem o candidato da esquerda, que adora segregar a sociedade. Explorar isso para influenciar uma eleição no Brasil é uma grande burrice! É desconhecer o povo brasileiro, que é miscigenado", escreveu o candidato.

Bolsonaro sempre refutou acusações feitas por seus adversários de que seja racista, homofóbico ou misógino. Em discurso na Câmara, ele disse que seu bisavô atuou no Exército de Adolf Hitler. “Ele não tinha opção. Ou era soldado, ou era paredão. Foi ser soldado”, afirmou em sessão solene em 2014.

Veja a declaração de Bolsonaro em vídeo:

 

David Duke foi um dos organizadores dos protestos em defesa da supremacia branca em Charlottesville, na Virgínia, em agosto do ano passado. A marcha "Unite the Right" [Unir a Direita] reuniu racistas da Ku Klux Klan e da chamada "alt-right", a "direita alternativa", que repudia os rótulos atribuídos aos antigos conservadores, mas é radicalmente contra a imigração e o multiculturalismo. Houve confronto que deixou dezenas de feridos e três pessoas mortas.

Amigo de Israel

Acusado de racista, homofóbico e misógino por seus adversários brasileiros, Bolsonaro mantém relação estreita com a comunidade judaica no Brasil. A Associação Sionista Brasil – Israel, uma associação que reúne judeus de todo o país, declarou oficialmente apoio a Bolsonaro ao refutar comentário do historiador Marco Antonio Villa de que o candidato do PSL é “nazista”. “Apoiamos Bolsonaro por reconhecermos nele um amigo, um admirador da cultura e tradições judaicas e um defensor da soberania do Estado de Israel”, divulgou a entidade em fevereiro.

No último domingo (14), como mostrou o Congresso em Foco, um símbolo adotado por extremistas nos Estados Unidos foi erguido em manifestação de apoiadores do presidenciável em São Paulo. O símbolo do reino imaginário “Kekistan”, que surgiu em fóruns na internet, passou a integrar manifestações da extrema-direita especialmente depois da ascensão de Donald Trump à Casa Branca.

A bandeira foi erguida em manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de apoiadores de Bolsonaro. É a primeira vez que a bandeira é detectada e fotografada em uma manifestação brasileira.

A Ku Klux Klan reúne o nome de três movimentos distintos dos Estados Unidos que defendem correntes reacionárias e extremistas, como a supremacia branca, o nacionalismo branco, o antissemitismo, o anticatolicismo e a anti-imigração. O grupo de extrema-direita é conhecido pelo histórico de torturas e atentados terroristas.

Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país

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