Em cinco anos, MPT registrou quase 6 mil denúncias de trabalho escravo

Em 2020 o Brasil completa 132 anos desde a abolição da escravidão no país. Porém, situações análogas ao trabalho escravo ainda não foram erradicadas. Nos últimos cinco anos, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 5.909 denúncias sobre trabalho escravo. Apenas no ano passado, foram encontrados pela Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) 1.054 trabalhadores em condições análogas à escravidão. Desses, 968 foram resgatados.

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No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, marcado nesta terça-feira (28), a Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT) divulgou um balanço do número de casos de trabalho escravo no Brasil. De acordo com dados apresentados pelo chefe substituto da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) do Ministério da Economia, Matheus Viana, somente em 2019, foram encontrados 1.054 trabalhadores em condições análogas à escravidão . Foram fiscalizados 267 estabelecimentos. As informações são da plataforma Radar, da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT). O número é menor do que o registrado em 2018 (1.745 trabalhadores), mas a quantidade de estabelecimentos fiscalizados aumentou, uma vez que no ano anterior foram inspecionados apenas 252 locais.


Os dados do Ministério apontam que, entre 2003 e 2018, cerca de 45 mil trabalhadores foram resgatados e libertados do trabalho análogo à escravidão no Brasil. Segundo dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo, isso significa uma média de pelo menos oito trabalhadores resgatados a cada dia. Nesse período, a maioria das vítimas era do sexo masculino e tinha entre 18 e 24 anos. O perfil dos casos também comprova que o analfabetismo ou a baixa escolaridade tornam o indivíduo mais vulnerável a esse tipo de exploração, já que 31 % eram analfabetos e 39% não haviam sequer concluído o 5º ano.

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo foi criado em homenagem aos auditores-fiscais do Trabalho Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, além do motorista Aílton Pereira de Oliveira, que foram assassinados em Unaí, no dia 28 de janeiro de 2004, quando investigavam denúncias de trabalho escravo em uma das fazendas de Norberto Mânica. O episódio ficou conhecido como a chacina de Unaí.

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