‘Clube das empreiteiras’ doou R$ 14 milhões para 20 investigados

Levantamento do jornal O Estado de S.Paulo mostra que empresas investigadas doaram legalmente para 13 parlamentares do PP, cinco do PT, um do PSDB e outro do Solidariedade

Das 16 empresas acusadas de participar do esquema de corrupção na Petrobras, sete fizeram doações para 20 políticos que serão investigados pela Operação Lava Jato no Supreo Tribunal Federal. Segundo levantamento do jornal O Estado de S.Paulo, o chamado “clube das empreiteiras” contribuiu com R$ 14 milhões para as campanhas eleitorais de 2014, conforme prestação de contas dos candidatos. O valor se refere a doações registradas legalmente na Justiça eleitoral.

De acordo com a reportagem, as maiores doações foram direcionadas a três senadores que concorreram sem sucesso ao governo de seus estados: Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Benedito de Lira (PP-AL). Lindbergh declarou ter arrecadado R$ 3,8 milhões das empresas investigadas; Gleisi, R$ 2,7 milhões; e Benedito, R$ 1,5 milhão.

O candidato que recebeu contribuições do maior número de empreiteiras investigadas foi o único oposicionista incluído na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) informou à Justiça eleitoral ter recebido recursos de cinco empreiteiras sob suspeita, no total de R$ 1 milhão.

Partido com mais políticos sob investigação, o PP também foi a legenda com mais candidatos beneficiados pelo “clube das empreiteiras”. Dos 20 contemplados, 13 são do PP. O PT tem cinco nomes, o PSDB, um, e o Solidariedade, outro – o ex-deputado Luiz Argôlo (BA), que foi do Partido Progressista até 2013. De acordo com o Estadão, a UTC Engenharia, a Construtora Queiroz Galvão e a Galvão Engenharia foram responsáveis por dois terços das doações aos políticos sob investigação.

O jornal ressalta que o número de contemplados e doações tende a aumentar com a abertura de investigações contra governadores no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O levantamento só diz respeito a 2014. Não considera, por exemplo, eventuais contribuições a parlamentares que não disputaram a eleição do ano passado, como Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e Ciro Nogueira (PP-PI). Em 2010, ano da reeleição de Renan, por exemplo, não era possível rastrear a origem das doações feitas de maneira oculta aos candidatos por meio dos diretórios partidários. Isso só se tornou possível no ano passado.

Veja a reportagem de O Estado de S.Paulo com a lista das doações

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