Bolsonaro manda jornalistas ficarem “quietos” ao ser questionado sobre Flávio

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse para jornalistas "ficarem quietos", nesta sexta-feira (20), ao ser questionado sobre a operação policial que tinha como alvo seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). As informações são do Uol.

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Em uma entrevista tensa, com apoiadores do presidente interrompendo jornalistas, Bolsonaro não respondeu se considerava o filho inocente. "Eu não sou juiz, eu não sou juiz. Não tem problema comigo". E disse que outros parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tinham problema de movimentação atípica. "Se alguém desviar um real, é culpado."

Nesta quarta-feira (18), a polícia cumpriu uma série de mandados de busca e apreensão na investigação sobre lavagem de dinheiro e peculato envolvendo Flávio quando ele era deputado estadual. A suspeita é de que havia um esquema de "rachadinha" no gabinete, ou seja, apropriação de parte do salário dos assessores, além de funcionários fantasmas.

Na manhã de hoje, Bolsonaro comparou Flávio a Neymar e comentou a acusação do Ministério Público referente a lavagem de dinheiro por meio de uma loja, da qual o senador é sócio.  Segundo o militar, é normal que o seu filho ganhe mais que o sócio, já que leva mais clientes a loja.

"Ele leva um montão de gente importante, ele ganha mais. É a mesma coisa que chegar pro Neymar: 'Por que está ganhando mais que os outros jogadores?' Porque ele é mais importante. Não é comunismo", disse, fazendo coro à defesa do senador, que usou o mesmo argumento para se defender da acusação em um vídeo publicado ontem.

Em seguida, ao ser questionado novamente sobre Flávio, Bolsonaro disse que um repórter tinha "cara de homossexual terrível", comentário que foi apoiado por gritos e aplausos dos apoiadores que estavam na porta do Palácio do Alvorada. "Você tem uma cara de homossexual terrível. Nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual", afirmou.

Em outro momento, Bolsonaro chegou a gritar e a ofender um repórter ao responder se ele tinha comprovante do alegado empréstimo feito a Queiroz. "Ô, rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, tá certo?", disse.

O comentário provocou uma nota de repúdio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), que considerou a fala do presidente "um violento ataque" a jornalistas. "Completamente descontrolado devido às denúncias que ligam sua família e amigos a atividades criminosas, Bolsonaro fez ataques com teor homofóbico e pessoal aos profissionais de imprensa para tentar desviar do assunto e ganhar aplausos dos apoiadores que dividem o mesmo espaço com jornalistas", complementa a instituição.

Confira a nota completa:

NOTA DE REPÚDIO

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) repudia mais um violento ataque do presidente Jair Bolsonaro a jornalistas. Desta vez, foi na portaria do Palácio da Alvorada, residência oficial do chefe do Poder Executivo.

Completamente descontrolado devido às denúncias que ligam sua família e amigos a atividades criminosas, Bolsonaro fez ataques com teor homofóbico e pessoal aos profissionais de imprensa para tentar desviar do assunto e ganhar aplausos dos apoiadores que dividem o mesmo espaço com jornalistas.

O SJPDF lembra que, ao longo de três décadas de atividade política, o atual presidente desafia impunemente a Constituição Fedral, ao exaltar ditaduras, homenagear torturadores e destilar todo o tipo de preconceito social, racial e de gênero. A postura é totalmente incompatível com o cargo que ele exerce.

Neste primeiro ano de mandato, dirigiu ao menos um ataque à imprensa a cada três dias, de acordo com levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o que destaca o desprezo de Jair Bolsonaro pelo Estado democrático de direito.

Aproveitamos para apelar às redações que reavaliem a estratégia de deslocar repórteres para cobrir a entrada e a saída do Palácio da Alvorada. A estrutura no local é precária e as ameaças de apoiadores do presidente aos profissionais de imprensa são constantes. Não existe segurança para os jornalistas no local.

Este Sindicato continuará denunciando os abusos contra a atividade profissional e oferecendo apoio institucional e jurídico a todos e todas que venham a ser atacados no exercício da profissão.

Brasília, 20 de dezembro de 2019
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal - SJPDF

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