Em defesa da liberdade

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Lucas: “Pode ser uma grande provocação: amar a causa daqueles que discordam de nossas ideias”

 

Lucas Ribeiro Guimarães *

“Eduquem os seus filhos, eduquem-se a si mesmos, no amor da liberdade alheia” (Joaquim Nabuco)

A quem interessa o amor a liberdade alheia?

A resposta pode ser mais difícil que parece, na realidade é difícil amar a liberdade do outro. É fácil amar a liberdade quando somos os beneficiados diretamente, o empresário prefere ter mais liberdade econômica, o crente quer  liberdade religiosa, ao passo que o artista deseja ter livre expressão,mas quando se esforçam para universalizar essas mesmas liberdades, o empresário reclama que tem enfrentado uma concorrência predatória, o crente quer o reconhecimento apenas da sua religião e o artista quer censurar quem o critica.

Nabuco implorava que não nos apegamos a liberdade alheia em abstrato, mas  sim a liberdade em concreto. A liberdade não se resume a teorias, mas se consagra em pessoas. Por exemplo: é a capacidade de um hétero amar a liberdade do gay, do ateu ou muçulmano amar a liberdade do cristão, até mesmo de um sujeito que gosta de McDonald’s amar a liberdade de quem ama Burger King.

Se a Bíblia nos fala para não amar o pecado, mas sim o pecador, o liberal também pode detestar o socialismo e o nacionalismo, mas amar o socialista e o nacionalista. Pode ser uma grande provocação: amar a causa daqueles que discordam de nossas ideias. Mas essa mesma questão é o que define o que é ser liberal e não somente defender uma filosofia liberal.

Porque ser liberal é agir a favor da liberdade individual e os prazeres mais instintivos da humanidade.

Com apoio do filósofo espanhol José Ortega y Gasset se regozijarão sobre essa característica, ainda que pouco notável do liberalismo:

“O Liberalismo”, dizia Ortega y Gasset, “é a suprema forma de generosidade: é o direito que a maioria concede às minorias e, por isso, o grito mais nobre que alguma vez se ouviu no planeta. Anuncia a determinação para partilhar a existência com o inimigo, mais do que isso, com um inimigo que é fraco. É incrível que a espécie humana tenha chegado a uma atitude tão nobre, tão paradoxal, tão refinada, tão acrobática, tão antinatural. Consequentemente, não é de admirar que a mesma humanidade queira ver-se livre dele. É uma disciplina demasiado difícil e complexa para ganhar raízes na terra”.

Nota-se que, por ser tão difícil, a assertividade dos liberais tende a ser fraca, superficial e até mesmo inibida. Por outro lado, teóricos estatistas aprenderam a comunicar suas ideias de maneira clara e pragmática e, por sua vez, propuseram “soluções”. Não somente dominaram ambientes acadêmicos como também invadiram o imaginário popular.

Com efeito, veja como todos os grupos sociais – mulheres, gays,  negros, proletários, empreendedores, ativistas – podem se sentir representados por ideias estatistas. Dessa forma, infelizmente, uma grande parte dos liberais insistem em justificar suas ações com raiva e ódio aos grupos citados acima.

Muitos liberais, inclusive eu, têm uma difícil discussão com a esquerda (estatistas), como dito antes. Diversas vezes criticamos a esquerda por trocar o conceito de corporativismo com capitalismo. É relevante fazer a distinção, mas deve passar longe de ridicularizar os indivíduos dizendo que são analfabetos econômicos ou utilizando linguagem de maneira ofensiva. Vamos orientá-los para os problemas da regulação estatal.

Aos Liberais que sempre apontam modelos econômicos que deram certo pelo mundo, em razão da prosperidade de riquezas, distribuição de renda e bem-estar, já passou da hora de sermos claros sobre nossa ideologia também.

É pelo amor à liberdade alheia que, em 1869, Joaquim Nabuco dedicou sua vida a ser advogado e não defendeu um aristocrata brasileiro, mas o escravo Thomas, que tinha acabado de matar o seu próprio senhor. O motivo da abolição da escravidão não era mais uma atividade tão lucrativa, Nabuco não agia para receber compensação financeira. Agia por amor à liberdade alheia.

Para conscientizar as pessoas sobre a causa, a organização sem fins lucrativos Students for Liberty, movimento que treina estudantes para se tornarem melhores defensores das idéias da liberdade, traz para Brasília a LibertyXP, a maior conferência libertária em Brasília que leva o desafio de desmistificar e popularizar as ideias liberais no Distrito Federal, no dia 20 de abril.

A ideia é educar, desenvolver e capacitar a próxima geração  de líderes da liberdade. Nossa organização defende o amor à liberdade alheia em todos os estados do Brasil por meio das nossas 1.037 lideranças. Atuando no mundo todo e com premiações Great Nom Profits 2017 Top Rated.

Venha conosco expressar sua liberdade!

* Coordenador local do Students For Liberty, instituição libertária criada em 2008 sem fins lucrativos, com sede nos Estados Unidos e atuação em 110 países.

 

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