Deputado pede que Câmara investigue mortes em operação no Jacarezinho

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) requereu, nesta sexta-feira (7), que a Câmara dos Deputados abra uma comissão externa para acompanhar "os graves acontecimentos sobre a letal operação da polícia do Rio de Janeiro". A operação na comunidade do Jacarezinho, ocorrida na quinta-feira (6), resultou até o momento em 27 moradores mortos, além de um policial civil.

Em seu pedido, o parlamentar reitera que a operação da polícia, acusada de executar inocentes sem nenhuma acusação criminal contra si, foi inconstitucional – já que viola uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) do ano passado, proibindo operações em comunidades e favelas durante a pandemia.

O relator do caso no STF, ministro Edson Fachin, cobrou o Procurador-Geral da República (PGR) Augusto Aras para que investigue indícios de "execução arbitrária" durante a chacina do Jacarezinho.

O parlamentar mineiro definiu a ação policial como "atrocidade". Foi a chacina mais letal já cometida pela polícia fluminense em sua história, e supera eventos como a chacina da Igreja da Candelária, em 1993 (com oito mortos) e a  Chacina de Vigário Geral, também em 1993 e que matou 21 pessoas.

"A natureza do modelo de segurança pública já foi questionada, inclusive na Câmara dos Deputados, em ocasião da CPI de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens Negros e Pobres", relembrou o parlamentar. "A prioridade no uso da força e do confronto nos territórios mais pobres- e detrimento do uso da inteligência- revela o descaso com a vida humana e desrespeito com os que têm menor poder aquisitivo."

A instalação da comissão depende de ato do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).


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